PSDB

Longe do consenso é o título de matéria com destaque interno no Globo

Pressionado desde a divulgação da propaganda de TV em que o PSDB reconhece erros e ataca o que chama de “presidencialismo de cooptação”, o senador Tasso Jereissati (CE) recebeu ontem o apoio público do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e teve reafirmada a aliança com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois do aval de FH sobre o programa partidário, ontem Alckmin defendeu sua permanência à frente da Executiva até as eleições internas, marcadas para dezembro deste ano.

O programa fez uma autocrítica adequada. Ela não é dirigida pessoalmente a ninguém, mas ao modelo político. Algum brasileiro está satisfeito com o modelo político que nós temos? — comentou o governador, após participar de um evento na capital paulista, antes de completar: — O PSDB tem presidente. É o Tasso Jereissati.

O governador e o ex-presidente foram consultados por Tasso na semana passada sobre a linha do programa partidário. A propaganda colou no governo Michel Temer o rótulo de fisiológico. Alckmin e FH confirmaram ao GLOBO terem sido consultados sobre a linha do programa antes dele ir ao ar. FH foi quem fez a sugestão do uso da expressão “presidencialismo de cooptação”.

DORIA PEDE PARA ANTECIPAR CONVENÇÃO

Com boas relações com Temer, o prefeito João Doria evitou comentar o programa de TV. Reservadamente, ele diz concordar com o conteúdo que foi ao ar, mas acredita que a crítica poderia ter sido feita em outro momento. O prefeito pediu ontem antecipação da eleição interna como uma saída para a disputa entre tucanos, embora a ideia de Doria seja rechaçada por Alckmin.

O partido precisa de serenidade, acalmar um pouco os ânimos, antecipar (a convenção nacional) de dezembro para outubro e permitir uma oxigenação na executiva, abrindo espaço para prefeitos eleitos em 2016, parlamentares novos. Um time jovem, compondo com figuras históricas. Numa nova eleição, ele (Aécio) não estará disputando. É preciso ter renovação também no PSDB — disse Doria, em entrevista à Rádio Bandeirantes, pontuando que “não quer mal a Tasso e Aécio”.

A ala governista do PSDB até intensificou ontem as articulações para a substituição imediata de Tasso, mas, temendo o previsível desgaste de se apresentarem contra a renovação das práticas da legenda, não sabe como retirá-lo do cargo sem provocar uma reação da opinião pública e de setores expressivos do partido que o apoiam. Para evitar um gesto que poderia ser interpretado como uma retaliação, em vez de o presidente licenciado Aécio Neves (MG) reassumir e indicar um outro presidente interino entre os vice-presidentes regionais, uma estratégia pensada foi encaminhar a Tasso uma carta pedindo que ele tome a iniciativa de entregar o cargo.

Antes mesmo de receber a carta, que seria redigida em uma reunião na casa do deputado aecista Paulo Abi-Ackel (MG), o senador cearense mandou avisar que não vai renunciar e que, se Aécio quiser retomar o cargo, pode fazê-lo quando quiser.

GRUPO DE AÉCIO QUER MARCONI NO COMANDO

Os tucanos contrários à orientação de Tasso afirmam que o senador adotou uma série de decisões, em três meses de interinidade, que estariam contrariando decisões coletivas. Uma delas, o programa partidário. Ontem à noite, deputados ligados ao governo e a Aécio se reuniram com alguns governadores para discutir uma saída para a substituição imediata de Tasso. Entre os convidados estavam os governadores Marconi Perillo (Goiás) e Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul).

O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) assumiu a função de porta-voz do grupo e apelou para que Tasso “faça um gesto” e tome a iniciativa de entregar o cargo para levar o partido até a convenção de 9 de dezembro. Na convenção, Pestana diz que o melhor candidato a suceder Aécio é o governador Marconi Perillo, de Goiás, porque ele dialoga com todas as correntes e tem experiência.

Estamos brincando com fogo. Pode haver uma implosão no partido. O doutor Tasso está jogando lenha na fogueira. O partido nunca enfrentou crise tão grande em 29 anos. O ideal é que eles construam essa saída — pediu Pestana.

No impasse tucano em deixar o governo, o presidente Michel Temer afirmou ontem que os quatro ministros da sigla estão “bem” nos cargos. Temer voltou a negar intromissão em disputas internas do partido.

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