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Economistas ameaçam deixar PSDB se Tasso perder presidência da sigla, diz o Valor

A economista e advogada Elena Landau não descarta a saída dela e dos economistas Edmar Bacha, Gustavo Franco e Luiz Roberto Cunha do PSDB caso o senador Tasso Jereissati (CE) perca a disputa com Aécio Neves (MG) pela presidência do partido. Também está em jogo o apoio da legenda ao governo do presidente Michel Temer (PMDB) depois da delação da JBS.

“Ou o Tasso vence essa briga e a gente recupera essa sigla ou [o partido] vai perder muita gente. Mas isso não cabe a mim. Não sou politica e não participo dessas decisões”, disse Elena, em entrevista ao Valor.

Ela também defende que o PSDB entregue os quatro ministérios que ocupa no governo Temer, onde Antonio Imbassahy é ministro-chefe da Secretaria de Governo; Aloysio Nunes Ferreira, ministro das Relações Exteriores; Bruno Araújo mantém-se no Ministério das Cidades; e Luislinda Valois (BA), no dos Direitos Humanos. Afirma que o PSDB “não precisa ter ministro para apoiar uma mudança no Estado brasileiro”.

Elena fará uma reunião em seu apartamento, no dia 1º de setembro a pedido de Tasso Jereissati e do senador Ricardo Ferraço para discutir cenários. “A reunião terá um grupo pequeno de economistas para falar sobre a refundação do PSDB e discutir temas como a Taxa de Longo Prazo (TLP), a abertura comercial, o regime fiscal, a previdência, a abertura da economia, as privatizações. Falam muito em reforma política e ninguém fala da questão programática. E que ideia é essa que o PSDB defende?”, explica.

Ex-diretora responsável pelo Programa Nacional de Desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Fernando Henrique Cardoso, ela frisa que o grupo não tem uma posição “nostálgica” em relação ao partido, mas que é preciso um posicionamento sobre questões que ela considera importantes para o enxugamento do Estado.

Na semana passada ela publicou uma postagem em uma rede social com uma lista de 11 erros que a seu ver o PSDB cometeu. No último item, afirma que o partido errou ao abandonar alguns princípios que nortearam sua criação, entre eles “o rompimento com o quercismo”.

Elena acha que o partido errou ao não defender de forma clara as privatizações e os avanços nas áreas social, saúde e educação obtidos pelo governo FHC. Considera um erro do partido ter votado contra o fator previdenciário e por “não fechar questão em torno da reforma da Previdência” ou da proposta que cria a TLP, que vai substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do BNDES e também é defendida como uma forma de redução a taxa de juros no Brasil no longo prazo.

Elena também critica a postura do PSDB ao “não fechar questão em torno da MP 777, que cria a TLP”, lembrando que o relator da medida provisória, Betinho Gomes (PE), é do partido. “Mas tem um senador trabalhando contra e um ministro do partido mais preocupado em punir infiéis do que criar condições para votação”, afirma, sem citar nomes.

Ela menciona ainda o relatório alternativo apresentado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo deputado Paulo Abi-Ackel do PSDB de Minas rejeitando a denúncia contra o presidente Michel Temer. “Como surge um relatório dessa gravidade sem a anuência do partido? Sem que o partido sequer tivesse sido consultado e provocando um racha na votação da denúncia”, questiona Elena, por telefone.

Elena Landau deixou recentemente a presidência do conselho de administração da Eletrobras, mas garante que o racha no PSDB não teve relação com a decisão. “Eu saí agora porque eu quero poder falar. E acho que o Brasil tem uma confusão de não respeitar a Lei das S.A., de não poder dar palpite político. E se eu quero dar palpite político, se eu quiser falar sobre PSDB ou o governo ou a reforma eu não posso ser presidente do conselho de uma empresa de capital aberto, muito menos de uma sociedade de economia mista”, diz.

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