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Aceno a Temer e ataque a Lula é destaque interno no Globo

Eleito presidente do PSDB quase por unanimidade, o governador Geraldo Alckmin fez discurso de pré-candidato ao Planalto. Em tom claro de ataque ao ex-presidente Lula, ele defendeu a reforma da Previdência e a política econômica do governo Temer. Após ser eleito presidente nacional do PSDB quase por unanimidade — foram apenas três votos contra e uma abstenção —, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, informalmente lançado ontem como pré-candidato do partido à Presidência da República, em 2018, fez um discurso no qual pregou a unidade da legenda, fez ataques ao PT e acenos ao governo do presidente Michel Temer e a partidos do centrão. A corrupção e a Lava-Jato ficaram fora da fala do tucano.

Em um discurso de cerca de 20 minutos, o tucano pregou a unidade do PSDB, defendeu as reformas e a modernização do estado brasileiro, e se apresentou como oposição a Lula e ao PT, hoje polarizado com o deputado Jair Bolsonaro na corrida presidencial.

Registrem-se os esforços do atual governo que, pouco a pouco, começa a reversão da tragédia econômica em que o país foi colocado. O PSDB reitera sua disposição no âmbito do Congresso na aprovação de reformas necessárias ao nosso país — disse Alckmin.

Quase todas as lideranças tucanas presentes no palanque discursaram defendendo o engajamento em sua candidatura ao Planalto a partir de já. A exceção foi o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, que reafirmou sua pré-candidatura e foi o obstáculo na convenção à aclamação do governador paulista. Se Virgílio se mantiver irredutível, ele deve disputar prévias com o governador paulista entre fevereiro e março.

VAIADO, AÉCIO SAI PELOS FUNDOS

Alckmin assume no lugar do senador Aécio Neves (MG), licenciado da presidência do partido desde que veio à tona gravação de uma conversa na qual ele pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, da JBS. Retirado da mesa de autoridades, o mineiro teve uma passagem relâmpago pela convenção. Aécio entrou pela porta principal, ladeado de uma claque barulhenta, mas dentro do espaço onde ocorreu a convenção chegou a ser alvo de vaias de um pequeno grupo. Havia uma cadeira na plateia com seu nome, junto da primeira fila. No entanto, ele passou direto e ficou atrás do painel do palanque, esperando a entrada de Alckmin e da comitiva que comporia a mesa. Quando todos entraram, o senador cumprimentou apenas Fernando Henrique e saiu pelos fundos.

O prefeito de São Paulo, João Doria, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fizeram discursos de apoio ao paulista, apesar de reconhecerem o direito de Virgílio de disputar as prévias.

Geraldo (Alckmin) é simples, eu o conheço há décadas, nunca mudou. Médico, deputado, é um ser humano. Uma pessoa. Precisamos de gente assim — disse Fernando Henrique.

Ao defender a candidatura de Alckmin, FH disse que o PSDB tem condições de derrotar o expresidente Lula nas urnas:

Eu já ganhei do Lula duas vezes, e temos energia para combatê-lo cara a cara. Prefiro combatêlo na urna a vê-lo na cadeia. No mesmo tom, o prefeito de São Paulo, João Doria, que até meses atrás era apontado como uma possível alternativa a Alckmin, declarou apoio incondicional à candidatura do governador à Presidência da República.

Quero dizer aqui do meu apoio, e reafirmar meu apoio incondicional a Geraldo Alckmin, não apenas como presidente do PSDB, mas também pedir à militância para juntos termos a liderança de Geraldo Alckmin para caminhar à Presidência da República. O futuro presidente do Brasil é Geraldo Alckmin — disse Doria.

O prefeito Arthur Virgílio promete ser a pedra no sapato do governador de São Paulo nos próximos meses. Apesar dos apelos de vários dirigentes tucanos, Virgílio disse que não abrirá mão das prévias para a disputa presidencial e que ela é a única forma de o partido não acabar. Enquanto o paulista já conversa com partidos para tentar formar um amplo arco de alianças em busca de tempo de TV, Virgílio diz ser contra acordo “espúrios” com PMDB e PP, por exemplo.

Enquanto Alckmin, Fernando Henrique e outros centraram fogo no PT, alguns tucanos também atacaram o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

O PSDB não compactua com esses extremismos por que passa o Brasil. Chamam o PSDB de partido que fica em cima do muro. Mas se está em cima do muro é porque está equilibrando os extremos do Brasil. Não está na esquerda desequilibrada que quebrou o Brasil nem em uma direita que ainda não disse a que veio — discursou o deputado Giusepe Vecci, presidente do PSDB de Goiás e vice-presidente nacional.

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