Lula

Lula é aconselhado por aliado a não fazer acenos ao mercado é o título de matéria no Valor

Animada com o resultado das últimas pesquisas, mas temendo um veto dos tribunais à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT acredita que não é hora de contemporizar com o mercado e tem restrições à possibilidade de uma “trégua” com investidores na campanha eleitoral de 2018.

Lula já foi aconselhado por amigos a defender uma espécie de “referendo revogatório” de medidas polêmicas já tomadas ou em gestação no governo de Michel Temer. É o caso da reforma trabalhista, de mudanças no regime de exploração do pré-sal e de uma eventual privatização da Eletrobras. Na hipótese otimista de aval da Justiça para concorrer e com Lula saindo vitorioso, seria uma campanha intensa para os seis primeiros meses de mandato. Na avaliação de interlocutores próximos do ex-presidente, a aposta é subir o tom e não lançar uma versão atualizada da “Carta ao Povo Brasileiro”, que serviu como um tranquilizante para o mercado em 2002.

Um petista influente prevê que todos os passos, incluindo o registro da candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), serão tomados como se ninguém estivesse à espera de uma condenação em segunda instância. A ideia é aumentar o ônus de uma decisão que o impeça de apresentar-se nas urnas. “Do contrário, se falarmos em plano B, legitima-se o discurso de que ele não pode ser candidato. Vão dizer que o próprio PT tem dúvidas.”

Se não há menções a um nome alternativo dentro do partido – como o ex-governador Jaques Wagner ou o ex-prefeito Fernando Haddad -, também não se fala de composição com outras legendas para a chapa presidencial. A tendência, diz esse dirigente, é constituir uma dobradinha “puro sangue” nas eleições por causa da provável multiplicação de candidaturas em 2018.

O petista consultado pelo Valor confia na habilidade de Lula para evitar uma deterioração das expectativas no mercado financeiro, mas deixa claro: “O Lula de 2019 estaria mais perto de uma renegociação da dívida do que da volta de superávits primários robustos”. Em 2003, no primeiro ano como presidente, ele chegou a entregar superávit acima de 4% do PIB como sinal de ortodoxia.

A última pesquisa do Instituto Datafolha, publicada no fim de semana, mostra Lula liderando no primeiro turno e vencendo seus adversários no segundo turno em todos os cenários testados. Ele também viu uma redução nos índices de rejeição do eleitorado.

O ex-presidente venceria o tucano Geraldo Alckmin (52% a 30%), a ex-senadora Marina Silva (48% a 35%) e o deputado federal Jair Bolsonaro (51% a 33%) em três dos cenários pesquisados.

Sua candidatura, no entanto, ainda depende do julgamento de recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região contra sentença proferida pelo juiz Sergio Moro pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá (SP). Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por Moro.

Na sexta-feira, o desembargador João Paulo Gebran Neto, relator do caso no TRF-4, concluiu seu voto no julgamento. Ele ainda não foi tornado público, mas já seguiu para o revisor e cogita-se que uma decisão poderá ser tomada entre março e abril. Se condenado em segunda instância, Lula se tornaria inelegível e ficaria fora da corrida presidencial, devido à Lei da Ficha Limpa.

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