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Lula enfrenta Justiça por candidatura, diz o Valor

Líder nas pesquisas sobre a sucessão presidencial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou o resultado de uma eleição nos Estados Unidos para anunciar que recorrerá de eventual decisão da Justiça impedindo sua candidatura em 2018. “Vou enfrentar”, avisou. A cúpula do PT confirma que Lula será o candidato da sigla à Presidência da República ainda que concorra amparado em liminar judicial.

Até o prazo para o registro das candidaturas, em agosto, a estratégia do PT é tentar gerar uma “comoção nacional” a fim de blindar o ex-presidente em meio às investigações de que é alvo, e simultaneamente, constranger possíveis decisões da Justiça que não deixem a candidatura se concretizar.

Para isso, o PT vai turbinar a pré-campanha de Lula, com novas edições das “caravanas da cidadania”: depois do Nordeste, ele agora percorrerá regiões de São Paulo e Minas Gerais.

O ex-presidente é réu em seis ações penais e foi condenado pelo juiz Sergio Moro a nove anos e seis meses de prisão no processo relativo ao triplex do Guarujá (SP). É este processo, em estágio mais avançado, que pode torná-lo inelegível caso o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região – órgão de segunda instância judicial -, confirme a sentença de Moro antes de agosto do ano que vem.

Num ato com servidores e militantes da área de educação em Brasília, Lula criticou a postura do então vice-presidente Al Gore, candidato à Presidência dos Estados Unidos, que “aceitou” a decisão da Suprema Corte americana atribuindo a vitória nas eleições de 2000 ao republicano George W. Bush. “Eles trabalham todo santo dia com a certeza de que estarei fora da disputa, e eles podem, juntam meia dúzia de juízes que não deixam eu ser o candidato e acabou”, afirmou.

“Vejam o Al Gore nos Estados Unidos, ele tinha ganho as eleições e uma decisão da Suprema Corte deu a vitória pro Bush e ele ficou quieto”, criticou. “Não tenho respeito por quem não me respeita e eles não me respeitaram, por isso eu vou enfrentar”.

Há 16 anos, o então vice-presidente de Bill Clinton moveu todos os recursos judiciais cabíveis para garantir a recontagem dos votos na Flórida. Bush o havia derrotado no colégio eleitoral por 271 a 266, mas o democrata havia vencido na soma geral da preferência dos eleitores.

Após 36 dias de embates judiciais, a Suprema Corte americana decidiu que não houve fraude nas eleições. Al Gore declarou que discordava do julgamento, mas aceitava.

Lideranças do PT afirmaram ao Valor que Lula agirá da mesma forma: se o Tribunal Regional Federal confirmar a sentença de Moro, ele apelará a todas as instâncias pelo direito de disputar a sucessão presidencial.

“Nós vamos recorrer até o fim”, confirma o líder do PT na Câmara dos Deputados, Zarattini (SP). “Lula só não será candidato se não quiser, ou se depois de todos os recursos, ele legalmente não puder ser”, completa o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ).

A última pesquisa Datafolha, que apontou Lula com 35% das intenções de voto a um ano do pleito, animou os petistas. Em junho, esse percentual era de 30%. Ao contrário do ocorrido em 2014, com a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, a indicação de Lula para a vaga de candidato unifica o PT, mesmo na hipótese de concorrer sub judice.

Um integrante do Diretório Nacional – principal instância decisória do PT, – ressalva que apesar da unanimidade em torno de Lula, a hipótese dele disputar amparado em liminar deve ser debatida no partido e com a militância, porque será um episódio inédito nos 37 anos da sigla.

Mas o vice-presidente do PT e líder da minoria José Guimarães (CE) minimiza o fato e diz que não há o que debater. “A candidatura do Lula está consolidada, com ou sem liminar, discutir outro nome no partido é dar tiro no pé”.

Aliados de Lula ainda acreditam que o TRF pode reverter a sentença de Moro. Questionado sobre a possibilidade de recorrer caso o tribunal torne o ex-presidente inelegível, o advogado Cristiano Zanin Martins, responsável pela sua defesa, disse que não se pronuncia sobre “especulações”.

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