Lava Jato

‘Pacto de sangue é entre Palocci e a Lava-Jato’ é o título de matéria no Globo

Endossando os ataques feitos pelo ex-presidente Lula a Antonio Palocci, a defesa do líder petista seguiu na mesma linha e rebateu as declarações do ex-ministro. O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, afirmou que o único “pacto de sangue” que existiria hoje seria entre Palocci e a Operação Lava-Jato. Na semana passada, Palocci disse que Lula recebeu propina quando ainda era presidente, em dezembro de 2010, final do segundo mandato.

As benesses incluíam R$ 300 milhões destinados ao PT, um sítio em Atibaia, interior de São Paulo, e mais R$ 200 mil por palestra feita pelo expresidente a partir de 2011, após o petista deixar o Planalto.

Segundo o advogado de Lula, o depoimento de Palocci não despertou preocupação:

Não preocupa, simplesmente porque o depoimento do ex-ministro Palocci foi prestado sem compromisso com a verdade, contém contradições internas com outros depoimentos e porque nada do que ele disse foi provado. E hoje (ontem), o ex-presidente Lula, quando perguntado sobre o assunto, respondeu que por tudo isso que já ocorreu nos processos, a única hipótese possível de pacto de sangue é entre o ministro Antonio Palocci e a Lava-Jato — disse a defesa. Segundo Zanin, não houve orientação para que Lula questionasse Moro sobre a imparcialidade do juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Lava-Jato.

Foi uma pergunta feita de forma espontânea, feita pelo ex-presidente Lula e que, ao meu ver, revela a preocupação dele com a falta de um julgamento justo, imparcial e independente. Então, se ele ali tinha a oportunidade de fazer sua autodefesa, ele também aproveitou essa oportunidade para, de forma espontânea, apresentar essa questão, que ele vem colocando de longa data e que coincide com a visão da defesa — disse Zanin. CONDUÇÃO COERCITIVA O advogado reiterou que a defesa já questionou, ao longo do processo, a “independência do juízo” porque também “enxerga esse problema” e, por isso, levantou a suspeição de Moro:

É preciso ressaltar que o questionamento sobre a parcialidade do juiz Moro foi acompanhado de uma série de atos concretos devidamente documentados, que mostram que ele perdeu a isenção para julgar o ex-presidente Lula.

Zanin relacionou, entre os atos considerados ilegais pela defesa, a condução coercitiva de Lula, em março de 2016, interceptações de ligações e a divulgação de conversas telefônicas. Também em março do ano passado, em meio ao avanço da Lava-Jato que se aproximava de Lula, numa dessas ligações a ex-presidente Dilma Rousseff informou a Lula que enviaria a ele um termo de posse para nomeá-lo ministro da Casa Civil, mas que o documento só deveria ser usado “em caso de necessidade”.

Horas depois, o diálogo foi divulgado por Moro, decisão que gerou discussões sobre a legalidade da ação.

Três meses depois, o então relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Teori Zavascki, que morreu em janeiro, anulou a validade jurídica da escuta telefônica entre Dilma e Lula.

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