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Lula quer programa radical na política, diz o Valor

Em um encontro liderado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT começou ontem a estruturar o programa de governo do partido para disputar a eleição presidencial de 2018. A legenda pretende definir até o fim do ano os principais projetos que serão defendidos pelo candidato à Presidência, mesmo que a candidatura de Lula seja inviabilizada pela Justiça. O ex-presidente recorreu de decisão da primeira instância que o condenou por corrupção.

Como parte da estratégia eleitoral para o próximo ano, o ex-presidente defendeu que a legenda restrinja o número de candidatos aos governos estaduais e concentre esforços nas eleições para Presidência, Câmara e Senado.

Lula afirmou que as decisões sobre as candidaturas nos Estados e para o Congresso serão centralizadas pela cúpula do partido, da qual ele faz parte como presidente de honra. Segundo o ex-presidente, a legenda não deve ficar refém de posições pessoais.

“O partido tem que decidir se a pessoa merece ser candidata do partido. Às vezes a pessoa decide e impõe sua candidatura”, disse. “Nessas eleições a gente vai ter que pensar. Tem Estado que a gente vai ter candidato a governador, mas tem Estado que é melhor a gente nem ter. É melhor ter candidato a deputado, a senador e fazer política enxergando a política”, afirmou Lula, durante reunião com o comando nacional do PT e dirigentes estaduais e dos diretórios das capitais, promovido pela Fundação Perseu Abramo, entidade de estudos da sigla.

Em recado aos petistas, o ex-presidente disse que “não adianta” ser candidato ao governo do Estado se tiver “3% dos votos”. “Poderia ser eleito deputado federal, senador. É importante que tenha dimensão política na hora de escolher”, reiterou. Lula afirmou que o partido precisa estar atento à correlação de forças no Congresso e que, para isso, é preciso aumentar a bancada do PT na Câmara e no Senado. “Se a gente não tiver isso em conta, a gente vai ser obrigado a fazer aliança com quem a gente não pensa em fazer aliança”, afirmou, na expectativa de uma eventual vitória na disputa pela Presidência.

O ex-presidente defendeu que o PT faça um plano de metas voltado para a eleição na Câmara, com a projeção de deputados que movimentos populares como os de sindicalistas e de sem terra e do movimento LGBT poderão eleger.

No evento, com a presença da presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), Lula também defendeu o início imediato da preparação de um programa para a sociedade, “que seja radical no sentido político e exequível no sentido prático”. As propostas do PT para a Presidência devem ser separadas sem sete eixos temáticos, como redução da desigualdade social, investimentos em infraestrutura e soberania nacional. A sigla deve coletar sugestões pela internet, além dos grupos de trabalho.

O secretário nacional de Comunicação do PT, Carlos Árabe, disse que o partido pretende também buscar o diálogo com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem movimentos populares como CUT, MST, UNE e MTST, para a “construção de um programa de esquerda”.

No encontro de ontem, Lula acertou também o roteiro da primeira das cinco caravanas que pretende fazer neste ano pelo país, para divulgar sua pré-candidatura e buscar apoio popular. Depois da série de viagens pelo Nordeste, entre 17 de agosto e 9 de setembro, o ex-presidente deverá fazer caravana em São Paulo, passando pela periferia da capital e por cidades do interior; no Rio de Janeiro; na região Sul e em Minas Gerais, segundo o vice-presidente do PT Marcio Macedo.

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