Lava Jato

Lula pede, e Moro aceita depoimento presencial, diz O Globo

O juiz Sergio Moro aceitou pedido da defesa e fará interrogatório presencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no próximo dia 13 de setembro. Moro havia sugerido que o depoimento fosse por videoconferência, para economizar recursos, mas os advogados de Lula contestaram.

O processo envolve suposto pagamento de propina feito pela Odebrecht, em favor de Lula, decorrente de contratos da Petrobras com a empreiteira. O ex-presidente é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro

O juiz havia dito que a videoconferência evitaria “gastos indesejáveis de recursos públicos com medidas de segurança”, referindo-se ao aparato extraordinário montado pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná e pela Polícia Federal em 10 de maio, quando Lula depôs a ele pela primeira vez — na ocasião, o petista foi interrogado como réu na ação penal que o condenou no caso do apartamento tríplex do Guarujá. Uma multidão tomou as ruas de Curitiba para apoiá-lo.

Advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins disse que o STF já “assentou a percepção de que a presença física não se compara à virtual, dada a maior possibilidade de participação e o fato de aquela ser, ao menos potencialmente, muito mais ampla”. Zanin afirmou também que nenhuma alegação de “gastos desnecessários” se mostra juridicamente válida para alterar a regra do interrogatório presencial estabelecida na lei.

IMÓVEL PARA INSTITUTO LULA

O defensor lembrou que Lula já prestou depoimentos presenciais em outras ações em São Paulo, São Bernardo do Campo (SP) e Brasília e que apenas o interrogatório no caso do tríplex envolveu, por determinação de Moro, excepcional aparato de segurança.

Nesta ação penal, a acusação aponta que parte das propinas pagas pela Odebrecht foi lavada mediante a aquisição, em benefício do ex-presidente, em setembro de 2010, de imóvel em São Paulo que seria usado para a instalação do Instituto Lula. A força-tarefa da Lava-Jato afirma que o acerto do pagamento da propina ao ex-presidente foi intermediado pelo ex-ministro Antonio Palocci, com o auxílio de seu assessor Branislav Kontic. Segundo as investigações, Palocci e Kontic mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht sobre a instalação do espaço pretendido pelo petista.

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