Lava Jato

Acusado de receber propina, ex-presidente da Valec é preso diz o Globo

Juquinha também teria lavado R$ 4,4 milhões e ocultado patrimônio

O ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, conhecido como Juquinha, foi preso ontem em Goiás na operação De Volta aos Trilhos, um desdobramento da Lava-Jato. Segundo as investigações, baseadas na delação premiada de executivos das construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, Juquinha recebeu propina, principalmente em obras da Ferrovia Norte-Sul, e praticou lavagem de dinheiro e ocultação do patrimônio obtido com o crime.

Segundo estimativa dos investigadores, Juquinha “lavou” pelo menos R$ 4,4 milhões provenientes de propina, em valores de 2012 sem correção, com bens que estão em nome de terceiros, usados como “laranjas” do expresidente da Valec, empresa pública do setor de infraestrutura ferroviária. Há sob suspeita dois apartamentos em Goiânia, cinco casas em Bela Vista (GO), duas aeronaves, cotas de uma empresa imobiliária e centenas de imóveis registrados em nome dela, além de uma nota promissória no valor de R$ 750 mil.

No último dia 25, na primeira fase da De Volta aos Trilhos, a prisão de Juquinha foi negada pela Justiça, que considerou não haver provas suficientes da atuação criminosa dele. Mas aceitou, desta vez, um novo pedido feito pelo Ministério Público Federal (MPF), a partir dos depoimentos do advogado Mário Césio Ribeiro e de Fábio Júnio Santos Pereira, que foram conduzidos coercitivamente no mês passado. Eles narraram à Polícia Federal o envolvimento de Juquinha nos atos de lavagem de dinheiro de que também participaram.

Também na primeira fase da operação, o filho de Juquinha, Jader Ferreira das Neves, e o advogado Leandro de Melo Ribeiro foram presos. Ribeiro seria um dos laranjas dos Neves para ocultar os bens adquiridos com as propinas recebidas. Juquinha e o filho já foram condenados a, respectivamente, 10 anos e 7 anos de reclusão. Segundo a Justiça, eles lavaram aproximadamente R$ 20 milhões ilegais obtidos por meio de cartel, fraudes em licitações, peculato e corrupção em obras da Valec. Ambos aguardavam julgamento de recursos em liberdade.

A PF e o MPF sustentam que, mesmo condenados, Juquinha e Jader continuaram em “plena atividade criminosa”. “Estão produzindo provas falsas no processo para ludibriar o juízo e assegurar impunidade, além de custearem parte de sua defesa técnica (advogados) com dinheiro de propina”, defenderam as autoridades. Horas depois de ser preso, na manhã de ontem, Juquinha passou por audiência de custódia. Mas a decisão foi pela manutenção de sua prisão, determinada pela 11ª Vara Federal Judiciária de Goiás.

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