Investigações

Temer decide antecipar retorno da China com expectativa de nova denúncia, diz a Folha

Com a expectativa de ser atingido, nos próximos dias, por uma nova denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, o presidente Michel Temer decidiu antecipar seu retorno da China.

Auxiliares de Temer afirmam que o presidente voltará na terça-feira (5) –e não mais na noite de quarta (6)– para iniciar a articulação política e tentar, mais uma vez, barrar o avanço da denúncia contra ele na Câmara. Além disso, o presidente quer acompanhar de perto a elaboração de sua defesa jurídica da acusação formal por obstrução de justiça e formação de quadrilha.

Na China para a reunião da cúpula dos Brics –grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul–, o presidente decidiu que não participará de toda a programação, que vai de domingo (3) a terça-feira (5). Ele embarca para Brasília logo depois que a reunião oficial do grupo terminar. A ideia era que o peemedebista cumprisse a agenda na Ásia e retornasse ao Brasil para participar somente do desfile de 7 de Setembro, em Brasília.

Temer já havia esvaziado sua comitiva à China para que seus principais ministros acompanhassem a evolução da votação de pautas importantes no Congresso e fizessem a defesa do governo caso o procurador-geral, Rodrigo Janot, apresentasse a segunda denúncia contra ele.

O Palácio do Planalto espera que Janot apresente a peça antes de deixar o cargo, em 17 de setembro.

Os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral), Henrique Meirelles (Fazenda) e Eliseu Padilha (Casa Civil), este inicialmente previsto na comitiva à China, permaneceram em Brasília.

A votação da revisão da meta fiscal e as negociações em torno de uma nova proposta do Refis eram cruciais para a equipe econômica, e Temer e Meirelles avaliaram que era melhor que o ministro cuidasse pessoalmente desses temas.

CLIMA POLÍTICO

Aliados do presidente avaliam que, às vésperas da segunda denúncia, o clima no Congresso é de “mau humor” com o Planalto. Parlamentares de partidos da base afirmam que não tiveram suas demandas completamente atendidas mesmo depois de ajudarem a barrar a primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva, na Câmara no início do mês.

O centrão é o principal foco de insatisfações e pressiona o presidente, inclusive, para demitir o ministro da articulação política, Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

A avaliação de integrantes da cúpula do Congresso é a de que Temer gastou muito capital político para pagar emendas e distribuir cargos aos aliados para se salvar na primeira denúncia. Agora, com o Orçamento mais magro e menos cargos para diminuir, a fatura ficou mais alta.

CHINA

Com o retorno antecipado, o peemedebista participará da primeira foto dos presidentes dos Brics, mas deve estar ausente na segunda, com os países convidados para participar do encontro. Para a última, será destacado o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

A antecipação do retorno não era consenso na equipe do presidente.

Para parte da comitiva presidencial na China, o presidente passará um sinal negativo para os demais integrantes do bloco comercial, demonstrando desapreço. Na avaliação de um ministro, a volta antes da hora também reforçará a mensagem de que o peemedebista está preocupado.

Será a segunda vez que o presidente se ausenta antes do fim de um encontro econômico mundial. Em julho, ele abandonou a cúpula do G20, em Hamburgo, após o PSDB ter afirmado que havia chance de prosperar denúncia contra ele por corrupção passiva.

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