Investigações

JBS apresenta novas provas contra políticos, diz O Globo

Provas entregues pelos delatores da JBS, como o executivo Joesley Batista, reforçam os depoimentos dados à Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do acordo de colaboração premiada. Reportagem do “Jornal Nacional” informou que há, no material apresentado, uma gravação em que o ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB), cita um esquema de corrupção. Ainda de acordo com o “Jornal Nacional”, os documentos corroboram o repasse para contas no exterior que, segundo Joesley, ficariam à disposição dos expresidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Os documentos detalham, segundo a TV Globo, o pagamento de R$ 30 milhões a deputados federais que apoiaram Eduardo Cunha (PMDBRJ) na campanha que o conduziu à presidência da Câmara, em 2015. O contato com os parlamentares teria sido feito pelo executivo Ricardo Saud, que narrou ter conversado com mais de 200 deputados, com foco nas bancadas do Rio e de Minas Gerais.

MAIS PRAZO

O ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 60 dias para os delatores da JBS entregarem provas dentro do acordo de delação. O pedido foi feito pela defesa dos executivos e teve a anuência da PGR.

O prazo inicial de 120 dias para a complementação da delação se encerrou na quinta e, como não houve decisão de Fachin durante o dia, a defesa decidiu protocolar os anexos elaborados. Já era noite quando isso ocorreu. Entre as novas provas estão informações sobre os contratos com o BNDES — registros de agendas, encontros, operações e ligações telefônicas, principalmente de Joesley, dentro da instituição — e novos áudios de conversas de Joesley com políticos.

Com a prorrogação do prazo, os delatores devem organizar mais elementos a serem entregues à PGR. Nesse caso, o material será fornecido já ao grupo de trabalho da Lava-Jato montado pela nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixa o cargo no próximo dia 17. Raquel assume no dia seguinte. O material entregue à PGR permanece em sigilo. O fim do segredo depende de uma manifestação da PGR e de uma decisão favorável de Fachin, na interpretação da defesa.

O novo prazo para a entrega de outros anexos da delação vai até 30 de outubro. No caso do BNDES, há um anexo específico com informações relacionadas aos contratos do grupo com o banco. Os delatores, no entanto, não devem admitir pagamento de propina dentro do BNDES para a obtenção de contratos.

O que está previsto é um detalhamento de reuniões e ligações telefônicas, especialmente de Joesley com o corpo técnico do banco, além de supostas provas do “empenho” e da “influência evidente” do exministro da Fazenda Guido Mantega para a liberação do dinheiro.

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