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Leilões garantem R$ 15,9 bi ao governo é destaque na primeira página do Globo

Em um único dia, o governo federal registrou um reforço de caixa de R$ 15,9 bilhões com a venda de quatro usinas hidrelétricas da Cemig e 37 blocos arrematados na 14ª Rodada de Licitações no Rio, numa disputa que contou com lances agressivos de um consórcio formado por Petrobras e Exxon. Os leilões de infraestrutura foram uma espécie de teste de resistência para o governo de Michel Temer, que enfrenta a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República na Câmara dos Deputados.

As hidrelétricas foram responsáveis pela maior parte da arrecadação: R$ 12,13 bilhões, num certame marcado pela pressão política da bancada mineira, que tentou, até o último minuto, evitar que a empresa perdesse as usinas. O valor superou o mínimo previsto pelo governo, com ágio de 9,7%. As vencedoras foram companhias estrangeiras, com destaque para a chinesa State Power Investment Corporation (Spic) Pacific Energy, que arrematou a Usina de São Simão por R$ 7,18 bilhões, ágio de 6,51% em um lance equivalente a mais da metade do montante arrecadado no leilão.

A franco-belga Engie (ex-Tractebel) ficou com as hidrelétricas de Jaguara (por R$ 2,17 bilhões e ágio de 13,59%) e Miranda, com lance de R$ 1,36 bilhão, ágio de 22,4%. Nos dois casos, a franco-belga derrotou a italiana Enel, que acabou ficando com a Usina de Volta Grande, pela qual ofereceu R$ 1,41 bilhão, ágio de 9,84%.

Temer comemorou o resultado em sua conta no Twitter: “Nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$ 12,13 bilhões, acima da expectativa do mercado”, escreveu.

Nas redes sociais, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, do PT, protestou, em vídeo, contra o resultado. “Tentamos de todas as formas possíveis uma negociação com a União que permitisse que a Cemig continuasse operando essas usinas, infelizmente não encontramos espaço no governo federal para atender essa justa demanda dos mineiros”, afirmou.

Para o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, o resultado do certame mostra que há interesse por parte dos investidores no Brasil e em ativos do setor de energia.

O leilão teve ágio, isso demonstra que a percepção de risco em relação a essas usinas não foi significativa. Esse leilão também dá uma contribuição importante para o ajuste fiscal do país — disse Pedrosa, logo após o leilão.

IMPACTO NA TARIFA DE NO MÁXIMO 1%

Gustavo Labanca, diretor de Novos Negócios da Engie, minimizou as preocupações com eventuais questionamentos:

O resultado desse leilão é irreversível. O problema jurídico é do governo federal — afirmou, informando que a empresa buscará financiamento no mercado local para o pagamento da outorga.

O dinheiro das outorgas entra no caixa do governo no fim de novembro, 20 dias após a assinatura dos contratos. Segundo Romeu Rufino, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o leilão terá impacto no preço das tarifas, mas ele será de, no máximo, 1% nas distribuidoras que recebem energia das usinas leiloadas:

Tem um efeito, mas ele é diluído e não será significativo. Prevejo em menos de 1%.

Marcos Ganut, diretor-executivo de infraestrutura da Alvarez & Marsal, diz que o resultado mostrou que os ativos da Cemig eram interessantes, até porque a empresa sempre foi considerada boa gestora.

É um volume expressivo de recursos. Havia o temor de que os interessados não tivessem tempo para levantar esses montantes. O resultado mostrou que houve interesse de participantes que têm boas condições financeiras — avaliou.

As quatro usinas leiloadas voltaram para as mãos da União porque a Cemig não aceitou as condições de renovação que passaram a vigorar a partir da medida provisória 579, de 2012. A estatal mineira tentou um acordo com o governo e recorreu à Justiça, mas não conseguiu impedir o leilão. Na véspera da disputa, moveu nova ação cautelar no Supremo Tribunal Federal (STF), mas não obteve sucesso.

Endividada e sem conseguir se desfazer de alguns ativos custosos, a Cemig perdeu, com o leilão das quatro usinas, 35% de sua capacidade de geração, segundo analistas, que estimam que o segmento de geração de energia representa cerca de 25% do lucro operacional da companhia. Procurada ontem, a Cemig não quis comentar o assunto.

Thais Prandini, diretora-executiva da Thymos Energia, diz que os ativos leiloados são muito bons e que a Cemig só ficou de fora da disputa por falta de condições financeiras.

A empresa não participou dos leilões pelo seu nível de endividamento e também porque não conseguir se desfazer dos ativos que tenta vender — afirmou Prandini.

A Cemig precisa desembolsar, para o pagamento de dívidas, R$ 4 bilhões neste ano. Além disso, tem de fazer, até novembro, o pagamento referente a uma opção de venda de ações na Light, na qual tem participação de cerca de 50%.

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