Governo

Ministro da Justiça quer trocar direção da PF até outubro, diz a Folha

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, planeja trocar o comando da Polícia Federal em breve, segundo apurou a Folha. Diretor-geral do órgão desde janeiro de 2011, Leandro Daiello já avisou o governo que quer sair e participa das conversas para encontrar um substituto.

O nome que aparece mais forte no momento é o de Rogério Galloro. Número dois da PF, ele ocupa o cargo de diretor-executivo desde junho de 2013 e tem currículo mais ligado às questões administrativas.

A expectativa é que a troca ocorra até o mês de outubro. A decisão, no entanto, ainda passará pelo presidente Michel Temer.

Dos dois lados, ministério e PF, a preocupação é de tentar não passar a imagem de que uma troca no comando da polícia vai ocorrer para abafar grandes operações, em especial a Lava Jato.

Outra estratégia é esperar a saída do procurador-geral, Rodrigo Janot, do cargo, em 17 de setembro. O Planalto não quer tirar Daiello ao mesmo tempo para desvincular as duas mudanças e não expor o atual diretor-geral.

Nas últimas semanas, houve esforço de Jardim e Daiello nesse sentido: estreitar as relações entre ministério e PF, falar de projetos e, ao mesmo tempo, construir uma espécie de transição.

Daiello tem dito nos bastidores que avalia ter obtido uma vitória importante ao não deixar que nomes considerados delicados dentro da polícia sejam cotados para sucedê-lo.

Galloro foi superintendente em Goiás e diretor de Administração e Logística Policial (Delog), em Brasília.

Desde que Jardim tomou posse, no final de maio, Galorro e Daiello já fizeram uma série de viagens com o ministro, mais frequentemente no mês de agosto, dentro e fora do país.

Na última quinta (31), o ministro convidou Daiello e Galloro para um almoço.

O encontro, revelado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, tinha o objetivo de dar publicidade para a boa relação e afastar outros nomes que vinham sendo especulados como preferidos de Jardim, como o do delegado Fernando Segóvia, que já foi superintendente do Maranhão.

Subordinado a cinco ministros ao longo desses quase sete anos, Daiello tem como marca de sua gestão a habilidade na cadeira, tratando com governo e políticos, em meio às grandes operações. Ele é o segundo chefe da polícia mais longevo desde a redemocratização do Brasil.

DISCURSO

Desde que entrou, Jardim deu entrevistas a respeito, mas nunca cravou a permanência de Daiello.

Em um dos episódios, chegou a convocar a imprensa para uma entrevista, na tentativa de negar notícias sobre uma possível troca.

A Folha publicou naquele dia reportagem sobre uma reunião de Jardim com sindicalistas, em que ele disse que pretendia fazer mudanças no comando da polícia.

Ao lado do chefe da PF, na entrevista, o ministro falou por cerca de dois minutos, se levantou e foi embora, deixando Daiello na mesa para ser interrogado por jornalistas.

A mensagem, porém, mais uma vez não ficou clara. Depois, a assessoria do ministério teve de entrar em contato com veículos de comunicação para dizer que Daiello estava garantido no cargo.

Jardim tem repetio em dizer que o nome não é o mais importante para as instituições, mas sim os projetos que elas têm e podem fazer, e que a transição é natural.

Procurados, ministério e PF não comentaram o assunto.

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