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Na China, Temer buscará atrair investimentos ao país, diz O Globo

O presidente Michel Temer desembarcou na manhã desta China quinta-feira (quarta-feira à noite no Brasil), exatamente um ano após a sua primeira viagem ao país (e primeira missão internacional) desde que foi confirmado no cargo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016. Com sete ministros de Estado, 11 deputados e uma lista ainda mais extensa de negócios em que quer ver investimentos chineses, ele vai pedir a participação do principal parceiro comercial do Brasil em projetos de infraestrutura e também no programa bilionário de 57 privatizações, que deverá explicar ao presidente Xi Jinping e à comunidade empresarial local nos próximos dias.

Temer destacará o sistema Eletrobras. O governo acredita que a estatal de energia, que será privatizada por meio de venda de ações no mercado, deve despertar interesse entre os chineses.

Ao final da série de encontros na capital, os dois países vão anunciar acordos em diversas áreas. Entre eles, nova encomenda de 20 aviões da Embraer pelos chineses. O Brasil também quer receber mais turistas deste lado do mundo. Hoje, o fluxo de brasileiros para a China é muito mais intenso do que o inverso. Deve ser assinado um acordo que prevê que os vistos de múltiplas entradas agora poderão ter prazo de até cinco anos e não três. O mesmo acontecerá para vistos de negócios. Serão abertos também 12 novos pontos de processamento de vistos para o Brasil em cidades China afora.

Horas antes da chegada do presidente, os dois lados ainda negociavam detalhes para novos entendimentos para áreas como siderurgia, portos e estradas. Perguntado pelo GLOBO durante a entrevista aos correspondentes baseados em Pequim se o país asiático estava pronto para investir mais no Brasil, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, respondeu:

Tenho certeza de que a visita será um sucesso, e teremos boas notícia para o Brasil.

Ele reconhece que “o Brasil está passando por algumas dificuldades domésticas temporárias”, mas disse que a China está confiante de que “haverá um esforço maior de consenso para que o país supere essas dificuldades”.

CÚPULA DO BRICS

Investimentos no Brasil têm sido um dos caminhos adotados pela China para cumprir as metas de internacionalização defendidas por Xi Jinping. Neste último ano, foram consolidadas operações de aquisição de ativos financeiros com a compra da Rio Bravo pela Fosun, e do BBM pelo Bank of Communications, de Xangai. Também cresceu a participação dos chineses nos mercados de soja, petróleo e energia. Hoje, 50% dos ativos da gigante State Grid no exterior estão no Brasil. Por sinal, esta última deve assinar um ato sobre transmissão com Itaipu. Vem daí a certeza do Palácio do Planalto sobre o interesse em participar do controle acionário da Eletrobras.

Da capital, o presidente brasileiro segue para a cidade portuária de Xiamen, onde participa da 9ª Cúpula do Brics (acrônimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) entre os dias 3 e 5 de setembro.

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