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Novo ministro da Cultura pede ‘bom senso’ a artistas é o título de matéria no Valor

O novo ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, empossado ontem pelo presidente Michel Temer, afirmou que buscará um consenso em meio ao que considera ser uma radicalização da classe artística contra o governo.

O novo ministro disse que se considera um “ecumênico”, observando que se encontra agora em posição de comando da pasta. Nessa condição, fez um apelo para que a classe artística tenha “bom senso”, afirmando que o momento é de “baixar a bola e buscar objetivos comuns”.

No momento em que assume a pasta, um segmento da classe artística comanda uma campanha nacional para que a Câmara autorize a abertura da investigação contra o presidente Temer.

Ao ser indagado se confia na inocência de Temer, o novo ministro evitou estender-se em comentários. “Não é questão de acreditar ou não. Eu fui convidado para fazer um trabalho e o farei da melhor forma possível”.

Em discurso, o novo ministro admitiu assumir o cargo em uma “hora difícil para o país”, inclusive com limitações orçamentárias, e apontou a atividade cultural como uma contribuição para a superação da crise no país.

“Precisamos saber ressuscitar nossos sonhos. E a cultura é a melhor ferramenta para ressuscitar os sonhos dos brasileiros”, disse.

Para assumir o posto, o novo ministro pediu a Temer a “recomposição orçamentária” da pasta, considerando essa medida fundamental para que as instituições ligadas à cultura possam funcionar com um padrão mínimo de qualidade. Afirmou também que pretende deixar a gestão da pasta mais transparente.

Uma de suas propostas é viabilizar um abatimento no imposto de renda para a pessoa física que contribuir para crowdfundings de projetos culturais.

Ao Valor, o novo ministro disse ainda considerar que a definição de um instrumento legal para viabilizar a constituição de “endowments”, para financiamento cultural, pode tornar o patrocínio à cultura mais atraente para detentores de grandes fortunas.

“Não acontece hoje porque não há confiança na governança das instituições, mas atrelado a um fundo com condições de governança ideais pode haver um estímulo maior”, disse.

Egresso do meio audiovisual, deixando o comando da Agência Nacional do Cinema (Ancine) para assumir o ministério, o novo ministro carioca afirmou que atuará por todas as manifestações artísticas e culturais considerando toda a diversidade pelo país. “Quero ser o ministro de toda a cultura brasileira, não apenas de um segmento”, afirmou.

O novo ministro também acenou para os servidores da pasta, prometendo valorizá-los e ouvi-los, sobretudo em função da “memória” da instituição.

Um de seus primeiros compromissos foi um encontro com representantes da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), que também estiveram reunidos com o próprio presidente. Na ocasião, Temer indicou que pode tentar intermediar o impasse envolvendo o corte na subvenção municipal para os desfiles do Carnaval.

O assunto será debatido novamente hoje em reunião comandada pelo ministro da Secretaria Geral, Moreira Franco, para tratar de incentivos para o turismo do Rio, seu reduto eleitoral.

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