Governo

‘O povo quer resultado, não importa como’, diz Temer após 1 ano de governo

Ao completar um ano à frente Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer defendeu nesta sexta-feira (12) a agenda de reformas de seu governo, considerada impopular, e afirmou que “o povo brasileiro quer resultado”.

“Temos coragem para fazer o que é preciso. O que o povo brasileiro quer é resultado. De onde e como vem o resultado, não importa”, declarou, em evento com ministros, parlamentares e presidentes de estatais.

“Os rótulos hoje perderam qualquer significado. O rótulo que vale é qual resultado eu tenho”, completou.

Temer se referiu à reforma da Previdência de maneira direta apenas no fim de seu discurso. A principal bandeira de seu governo, rejeitada por 71% da população, segundo o Datafolha, foi mencionada como parte dos alicerces da recuperação da economia.

“Sem apelar para o encanto do populismo, sem investir no marketing enganador, estamos construindo pilares muito sólidos para garantir ao Brasil um padrão de crescimento sustentável.”

Em referência ao governo de sua antecessora, Dilma Rousseff, o presidente apontou que a “falta de diálogo” com o Congresso foi o motivo do impeachment da petista. Diante dos presidentes da Câmara e do Senado, aproveitou para exaltar a parceria com o Legislativo, de quem depende para aprovar sua pauta de reformas.

“Era necessário estabelecer o diálogo, que antes não havia. Foi, aliás, dessa ausência de diálogo que decorreu a dificuldade para governar. Faltava entrosamento entre o Executivo e o Legislativo. Faltava pacificar o país”, disse.

Ainda com poucos resultados substanciais de recuperação da economia, Temer ressaltou que começou a “preparar o país agora para uma nova fase de desenvolvimento”.

“Estamos completando nosso primeiro ano de governo com a certeza mais absoluta de que estamos no caminho certo. Estamos chegando ao final de uma longa recessão”, disse o presidente.

Temer responsabilizou o governo Dilma por um “rombo bilionário nas contas públicas, a mais grave recessão da história, desemprego preocupante, inflação galopante e juros absurdamente altos”. Nos últimos meses, porém, a taxa de desemprego bateu recorde, durante seu governo, atingindo a 14,2 milhões de brasileiros.

“O desemprego, que é a pior herança de uma época de gastos descontrolados, em breve começará a ceder. Não temos dúvidas disso.”

GASTOS SOCIAIS

Para blindar sua gestão das críticas feitas à austeridade das reformas propostas por seu governo, Temer tentou dar garantias de que trabalha pela área social e não retirará direitos da população.

“Um fato de grande importância é que cortamos gastos públicos sem sacrificar em nada a área social, protegendo quem mais precisa”, afirmou, citando o reajuste de 12,5% concedido ao Bolsa Família no ano passado. Em julho, novo aumento, de cerca de 5%, será anunciado, conforme a Folha noticiou.

Ao defender a reforma trabalhista, o presidente chamou de irresponsáveis as críticas feitas à proposta de mudança da legislação.

“Vejo a irresponsabilidade das pessoas que dizem que estamos tirando direitos do trabalhador, que o trabalhador vai morrer à míngua porque estamos retirando direitos. Não haverá nenhum direito a menos para o trabalhador brasileiro.”

Temer destacou principalmente a queda da inflação e dos juros como sinais de sucesso da política econômica aplicada nos últimos 12 meses, apontando que os indicadores contribuem para “proteger o bolso do trabalhador”.

“Imaginávamos que só no fim do ano veríamos a inflação abaixo da meta, mas o ministro [da Fazenda, Henrique] Meirelles e já disse que estamos em 4,08% [ao ano]. No fim do ano teremos notícias tão ou mais alvissareiras.”

O presidente creditou a recuperação das vendas no varejo à liberação do saque de contas inativas do FGTS. “Conseguimos dar um fôlego para as famílias pagarem suas dívidas ou fazerem investimentos ou compras.”

COMEMORAÇÃO, NÃO

Temer montou uma mesa com mais de 50 lugares no segundo andar do Palácio do Planalto para marcar a data. Participaram 25 ministros, além de presidentes de autarquias e estatais do governo, como Petrobras, Caixa e BNDES.

Dos 28 ministros, estiveram ausentes Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Blairo Maggi (Agricultura) e Sarney Filho (Meio Ambiente). O presidente do Senado, Eunício Oliveira, também não compareceu.

“Tenho a honra e a felicidade de liderar essa travessia e o farei, é o meu dever. Estamos comemorando…”, disse Temer, para se corrigir em seguida. “Comemorando, não. Registrando um ano de governo. Foi intenso e o saldo é positivo.”

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