Eleições 2018

Meirelles nega, mas PSD anuncia sua pré-candidatura à Presidência é o título de matéria no Valor

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ficou mais próximo de uma possível candidatura à Presidência depois que seu partido, o PSD, começou a mencioná-lo publicamente como um nome forte para disputar as eleições do ano que vem. O próprio presidente licenciado do PSD, o ministro da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações Gilberto Kassab, falou em pré-candidatura ao mencionar o correligionário.

Meirelles recebeu ontem os deputados federais do PSD para um almoço em sua casa em Brasília e ouviu deles que seu nome cairia “como uma luva” nas eleições por ter simpatia do mercado e também pelo momento de aversão da sociedade a políticos já conhecidos. De acordo com o líder do partido na Câmara, Marcos Montes (MG), Meirelles foi, de fato, chamado a ser candidato. “Chamamos hoje [ontem]. E ele nos dá toda a prerrogativa de estar conversando esse assunto com vocês [mídia]”, afirmou Montes a jornalistas.

Segundo o deputado, Meirelles recebeu os comentários da bancada do PSD na Câmara com “entusiasmo” e com um sorriso no rosto. “Pedimos autorização para falar de política no nome dele. Colocar ele numa discussão de política”, disse Montes, afirmando que Meirelles “praticamente” deu aval para ser mencionado nas discussões. “Essa questão de lançar candidato a presidente não é o momento, mas de conversar e apresentar nomes”, disse o deputado. “Falamos claramente sobre política, principalmente nesse momento em que nos aproximamos de 2018 e quando começa a se especular nomes de candidatos. A sociedade está olhando com muita atenção”.

Montes disse que o movimento de hoje é o “início de um projeto que pode dar certo” e afirmou que Meirelles e Kassab são dois nomes fortes do PSD. “Se a economia está descolando da política, dando certo, e a sociedade quer algo diferente, acho que [Meirelles] é um nome que preenche os requisitos que estamos buscando”.

Para o parlamentar, Meirelles acaba se distanciando da política por suas atividades como ministro da Fazenda e também por conta de uma preferência pessoal. “Para querer [ser candidato], ele tem que reunir em volta dele outros requisitos além da liderança econômica. Um viés político, uma conversa política. Mas a atribuição que ele tem hoje, e até a personalidade dele não é muito afeita a isso. Cabe a nós, caso haja interesse, ajudar a construir essa imagem política que ele não tem”, disse ele ainda antes de encontrar Meirelles.

Os comentários sobre a possível candidatura de Meirelles à Presidência logo repercutiram no mercado financeiro e o ministro se apressou para negar que está na corrida presidencial. “Não sou pré-candidato à Presidência da República. Estou concentrado em meu trabalho na Fazenda, para colocar o Brasil na rota do crescimento sustentado. Fiquei muito honrado com as palavras de todos os deputados do PSD. Seguirei debatendo a política econômica com todos os parlamentares”, afirmou em sua conta no Twitter.

Apesar da negativa, o próprio fundador do PSD e presidente licenciado do partido, ministro Gilberto Kassab, falou em pré-candidatura ao mencionar Meirelles. “É uma pré-candidatura que vai ser disponibilizada pelo partido. Tenho certeza de que em algum momento, porque ele tem condições para isso, é uma pessoa muito bem preparada e sem dúvida alguma será uma das grandes opções que o partido tem”, afirmou depois de participar de um evento do Movimento Brasil Competitivo em São Paulo.

Kassab disse ter pedido a Montes que fizesse o convite a Meirelles para disputar. “É um extraordinário nome, com formação invejável, com uma experiência muito grande e no momento certo é evidente que o partido dará prioridade a uma candidatura própria”.

O presidente licenciado do PSD chegou a falar até mesmo em quem poderia ser o vice de Meirelles e afirmou que o nome não deve ser de São Paulo, mas de “outra região”. Kassab disse que, a partir de janeiro, o partido vai dialogar com as bancadas, parlamentares e diretórios para tratar da candidatura presidencial e fez questão de reforçar, em todos os momentos da entrevista que deu a jornalistas, que o ministro da Fazenda é a principal aposta do partido. “Nunca posso deixar de registrar que tenho admiração muito grande pelo ministro Henrique Meirelles”, afirmou.

O lançamento de Meirelles gerou críticas como a do prefeito paulistano, João Doria (PSDB), também cotado como pré-candidato. Para Doria, a perspectiva eleitoral “pode prejudicar” a conduta do ministro “à frente da política econômica do país”.

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