Eleições 2018

Ayres Britto conversa sobre 2018 com PSB, diz o Valor

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto retomou a conversa com o PSB sobre a possibilidade de ser o candidato do partido a presidente, nas eleições de 2018. Britto não descartou a sondagem, mas pediu tempo para refletir. Esta foi a terceira conversa do ex-ministro com dirigentes do partido com vistas à sucessão de Michel temer no Palácio do Planalto.

O PSB avalia que Britto tem o perfil que o eleitor procura para 2018: é uma novidade na política, tem ótima folha corrida no combate à corrupção e um viés progressista ao gosto da militância do PSB. O ex-ministro foi indicado para o STF pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas isso não o impediu de aplicar condenações no julgamento do mensalão, que atingiu sobretudo o PT.

Britto teve outras duas reuniões com o PSB. Na primeira fez uma abordagem sobre a possibilidade de se filiar ao partido e ser candidato. Logo depois, o ex-ministro voltou a procurar o PSB com o projeto de ser candidato numa eleição indireta, caso o presidente Michel Temer fosse afastado. Mas Britto congelou as articulações menos de 24 horas depois, quando o PSB já marcava conversas com o PSDB.

A última reunião foi realizada na casa de um irmão do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB). Além do governador, participaram também o presidente da sigla, Carlos Siqueira, Renato Casagrande, ex-governador do Espírito Santo, secretário-geral e atual presidente da Fundação João Mangabeira (FJM), vinculada ao partido. A FJM, aliás, apresenta nesta quarta-feira para audiência pública Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional que deve talhar o figurino a ser vestido por eventual candidato do PSB.

Na conversa com a cúpula do PSB, Britto evitou se comprometer com uma candidatura, mas prometeu refletir. O partido quer uma resposta até para que possa testar seu nome nas pesquisas eleitorais. Mas o ex-ministro do STF não é a única alternativa considerada no PSB para a sucessão presidencial.

O PSB apoiará o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), por uma questão tática, se ele apoiar a reeleição de seu vice, Márcio França, nas eleições de 2018. Márcio deve assumir o posto, quando Alckmin sair para ser candidato. O governo de São Paulo será um salto e tanto mesmo para um partido que tem crescido progressivamente – foi o partido à esquerda que mais elegeu prefeitos em 2016.

Na hipótese de Alckmin apoiar outra candidatura que não a de Márcio França ao governo de São Paulo, o que é provável, o PSB somente considerará uma eventual aliança com o PSDB se os tucanos não estiverem associados ao PMDB e ao DEM.

O PSB não descarta a possibilidade de ter Marina Silva (Rede) novamente na chapa do partido a presidente. A avaliação é que seu partido, o Rede, terá muitas dificuldades com a reforma política em tramitação, se for aprovada, e Marina terá de procurar o apoio de outras siglas. Não necessariamente para ser a cabeça de chapa, mas vice do próprio Ayres Britto ou do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, que também já fez um contato de primeiro grau com o PSB.

O nome de Ciro Gomes também está no radar, mas o sinal ainda é muito fraco. Alianças estaduais com o PT serão bem-vindas, mas não estão no horizonte da disputa nacional. Uma possibilidade concreta é o PSB ficar sem candidato a presidente e deixar seus candidatos nos Estados livres para compor a aliança mais conveniente para cada um.

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