Eleições 2018

DEM ficará neutro na disputa entre Alckmin e Doria, diz o Valor

Prometido ao governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), o DEM decidiu guardar distância da briga entre o governador e o prefeito de São Paulo, João Doria, pela indicação do candidato tucano à Presidência. A possibilidade de Doria ser convidado a se filiar ao Democratas está por enquanto afastada, muito embora o DEM não descarte a hipótese de estar no palanque do prefeito, nas eleições de 2018, se a sua candidatura se tornar irresistível ao PSDB. Até a definição, o partido vai explorar as possibilidades de um candidato “prata da casa”.

Democratas e Alckmin firmaram compromisso em jantar no Palácio do Bandeirantes, na última semana de julho. A cúpula do DEM disfarça e diz que tanto o governador como o prefeito são “parceiros” Na realidade, um convite ao prefeito, a esta altura, serviria apenas para criar problemas com Alckmin, com o PSDB e até com o DEM, que consideraria uma agressão eventual recusa do prefeito.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), também tem procurado botar um freio nas especulação segundo as quais Doria vai concorrer à Presidência pelo DEM, se perder a disputa pela indicação do PSDB para Geraldo Alckmin. Em recente conversa com jornalistas, Maia chegou a criticar a velocidade com que João Doria entrou na corrida sucessória. “Eleição presidencial é maratona, não é uma corrida de cem metros”. O presidente da Câmara entende que Doria pode se cansar antes do fim da corrida.

Hoje o nome mais em voga do DEM, também assumiu o discurso de que o partido deve tentar viabilizar a candidatura própria para 2018. Além dele mesmo, o Democratas faz cenários com o prefeito de Salvador, ACM Neto, o senador Ronaldo Caiado (GO) e o ministro da Educação, Mendonça Filho (PE). O mais provável, neste momento, é que esses nomes sejam preservados para disputas regionais. Em princípio, o DEM tem chance nas eleições para governador desses e de outros Estados, como Mato Grosso, com o ex-governador Jaime Campos.

Seria uma virada espetacular em relação a 2010 e 2014, quando não elegeu governadores – em 2006 elegera apenas José Roberto Arruda no Distrito Federal.

O período áureo do DEM ocorreu nos governos de Fernando Henrique Cardoso, ainda como PFL, na aliança com o PSDB que governou o país entre 1994 e 2002. Na eleição de 1998 o PFL elegeu a maior bancada e chegou à Câmara com 105 deputados. Foi na eleição de 1990 que estabeleceu seu domínio sobre o Nordeste, onde elegeu seis dos nove governadores que conseguiu nos Estados. Domínio que foi se esvaindo rapidamente até a perder sua principal cidadela, a Bahia, em 2006.

Embora o compromisso preliminar do DEM seja com Alckmin, uma chapa encabeçada por Doria seduz uma boa parcela dos partidos hoje reunidos em torno do governo, que veem no prefeito de São Paulo a melhor alternativa para evitar a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma chapa que reunisse Doria e o prefeito de Salvador, ACM Neto, é uma especulação recorrente no empresariado, mas não entre políticos mais experientes, para os quais a candidatura Doria exigiria um candidato a vice sênior – Neto tem apenas 38 anos.

Dirigentes do DEM não descartam a aliança com o PSDB, mas não acham prudente o partido se meter na disputa Doria-Alckmin. O partido mantém boas relações com os dois. O melhor a fazer é esperar a definição do PSDB. Enquanto isso, a curto prazo, o DEM trabalha fortalecer as bancadas da Câmara e do Senado. Se conseguir seis senadores e ampliar a bancada da Câmara de 31 para 45 deputados, o DEM avalia que se credencia para ter assento na mesa de negociação de 2018 com cacife suficiente para se colocar no jogo. “Podemos até entrar com um nome prata da casa”, diz o presidente do DEM, o senador José Agripino (RN).

“Eu não estou lançando ninguém, mas o Rodrigo [Maia, presidente da Câmara dos Deputados] é um nome que vai indo muito bem”, diz Agripino. “O que não pode é o centro se dividir como aconteceu em 1989, quando nos dividimos, nossos candidatos viraram pó e deu no que deu: Fernando Collor e Lula no segundo turno da eleição para a Presidência da República”.

Agripino é quem conduz as conversas para novas filiações. A janela para a troca de partidos com vistas a 2018 deve se fechar em março do próximo ano. O senador pelo Rio Grande do Norte conta com o apoio de ACM Neto, Mendonça Filho e Rodrigo Maia, que não aceitam discutir filiações em troca de sua retirada da presidência do DEM. Agripino conversa principalmente com o PSB e o PSD. No momento, todos os partidos assediam todos os outros atrás de filiações – o PMDB também está atacando o PSB -, mas Agripino está confiante no poder de atração do partido, que mais uma vez deve mudar de nome – pode se chamar de Mude, Centro Democrático ou simplesmente Centro, como prefere Rodrigo Maia.

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