Eleições 2018

Alckmin prioriza atos oficiais e Doria, setores privados, diz a Folha

Nos últimos três meses, o prefeito João Doria (PSDB) passou 45% de seu tempo com empresários, banqueiros e jornalistas. No mesmo período, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) dedicou 50,5% da agenda pública a reuniões com secretários e eventos de governo.

Levantamento feito pela Folha com base na agenda pública dos dois evidencia o estilo de governar –e de fazer campanha– dos tucanos, em disputa velada pela candidatura presidencial.

Dos 505 compromissos divulgados, Doria dedicou 123 ao setor privado nacional, sendo 10 deles relacionados ao Lide, a organização de empresários que ele fundou e cujo comando passou ao filho.

Ficaram frente a frente com o prefeito banqueiros como Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, e Candido Bracher e Roberto Setubal, do Itaú.

Outras 42 reuniões foram feitas com atores internacionais, a maioria do setor econômico. Além disso, Doria realizou 62 ações de mídia, sejam entrevistas, reuniões com jornalistas ou transmissões em redes sociais.

O levantamento não contabilizou entrevistas espontâneas nem encontros fora das agendas publicadas pela prefeitura ou pelo governo.

Alckmin, por sua vez, dedicou 52 de suas 339 agendas a agentes econômicos e 5 a atores internacionais como Roberto Azevêdo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, e Guilherme Leal, cofundador da Natura.

Com a mídia, reservou 22 encontros. Somados, os compromissos das três categorias correspondem a 21,5% de seu tempo em junho, julho e agosto, ante os 45% de Doria.

Mas a maior parte o governador dedica a solenidades, inaugurações de obras e entregas de programas (99) e a reuniões com secretários (73).

Nos últimos três meses, período que o levantamento abrangeu, Alckmin e Doria se descolaram. O prefeito adotou agenda de candidato a presidente, com viagens sucessivas pelo país.

A ofensiva forçou o governador, seu padrinho político, a antecipar o discurso de candidato, apesar de repetir que “eleição é em ano par”.

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