Crise

Temer e Rodrigo Maia trocam juras de lealdade, diz o Estadão

O presidente Michel Temer (PMDB) disse ontem, na Alemanha, onde participa da reunião do G-20, que confia na lealdade do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), que se tornou uma aposta para substituir o peemedebista caso ele seja afastado do cargo. Também cumprindo agenda oficial fora do País, Maia – o primeiro da linha sucessória da Presidência da República – afirmou na Argentina que será sempre correto com Temer.

Na semana passada começou a tramitar na Câmara a denúncia por corrupção passiva contra o presidente. Apesar da ampla base aliada, o governo tem preocupação com o resultado da votação na Comissão de Constituição e Justiça, cujo parecer será votado posteriormente pelo plenário da Casa.

Os deputados vão decidir se dão ou não autorização para que o Supremo Tribunal Federal julgue a acusação formal contra o presidente. A admissibilidade depende de 2/3 da Câmara (342 votos); o governo precisa de um mínimo de 172 votos para barrar a autorização.

A “opção Maia”, porém, ganhou força nos últimos dias entre partidos da base aliada. O Palácio do Planalto detectou o movimento de alas do PSDB e do DEM para viabilizar o nome do presidente da Câmara. Anteontem, o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse que o País “caminha para a ingovernabilidade” na gestão Temer e que o deputado fluminense poderia dar estabilidade ao País até 2018 e fazer a “travessia” do governo.

Durante entrevista coletiva no encontro de chefes de Estado, em Hamburgo, Temer disse que não tem por que duvidar da lealdade de Maia. “Acredito plenamente, ele só me dá provas de lealdade”, afirmou.

Mais cedo, Maia havia minimizado, em Buenos Aires, o que chamou de “pura especulação” em relação a seu nome. “Eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto, e serei com o presidente Michel Temer sempre”, disse o presidente da Câmara ao participar do encerramento do Fórum de Relações Internacionais e Diplomacia Parlamentar.

Reformas. Maia também usou o Twitter para dizer que é preciso ter “muita tranquilidade e prudência neste momento” e defender a aprovação das reformas no Congresso. O deputado do DEM é considerado um potencial substituto de Temer também porque tem indicado que vai manter a diretriz e a atual política econômica caso assuma o Planalto. Esta é a principal preocupação entre economistas, analistas financeiros, empresários e executivos de grandes empresas (mais informações na pág. A6).

Precisamos ter muita tranquilidade e prudência neste momento. Em vez de potencializar, precisamos ajudar o Brasil a sair da crise”, escreveu o presidente da Câmara na rede social. “Temos que estabelecer o mais rápido possível a agenda da Câmara dos Deputados”, disse o parlamentar. “Somos aliados do presidente Michel Temer, apesar de toda a crise. Eu disse ao presidente do meu partido no primeiro dia da crise que, se acontecesse alguma coisa, o DEM deveria ser o último a desembarcar do governo.”

Na Alemanha, Temer afirmou ainda que está tranquilo com a posição do PSDB sobre o governo e que tem preocupação “zero” com uma debandada da legenda tucana do governo. O peemedebista disse que conversou com os quatro ministros do PSDB. “Me ligaram todos, me explicaram que a fala do Tasso não condiz com aquilo que pensa a maioria do PSDB”, afirmou o presidente.

Temer declarou ainda que também é “zero” a sua preocupação com a eventual delação premiada do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato. E sobre a prisão de seu ex-ministro Geddel Vieira Lima, o presidente apenas afirmou: “Vamos deixá-lo explicar”.

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