Crise

Adesões a campo contrário a Temer aumentam na CCJ, diz O Globo

Entre o último domingo, quando a enquete do GLOBO sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer foi divulgada pela primeira vez, e a noite de ontem, a situação do presidente continuou piorando. Em cinco dias, o número de deputados que se declararam a favor da autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analise a denúncia contra Temer cresceu duas vezes mais rápido do que o número de parlamentares contrários. A peça da Procuradoria-Geral da República acusa o presidente de corrupção passiva.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa de análise da denúncia, o grupo de deputados a favor da investigação cresceu de 13 para 21, ou seja, ganhou oito adesões. Já os que se manifestaram contrários somavam quatro no domingo e ontem, após quatro adesões ao longo da semana, chegaram a oito.

No plenário, a evolução é semelhante. No último domingo, 121 deputados diziam-se favoráveis à autorização para que o STF analise a denúncia, que levaria ao afastamento temporário de Temer, enquanto 44 diziam-se contrários. Após ganhar 38 adesões em cinco dias, o grupo favorável chegou ontem a 159 deputados. Enquanto isso, os contrários ganharam 21 adesões e somavam 65 ontem.

CÁLCULOS OTIMISTAS

Essas dados vão contra a justificativa que vinha sendo usada por líderes da base aliada no domingo, alegando que o resultado negativo se justificava, já que deputados contrários ao presidente se manifestavam primeiro.

Apesar do acirramento da crise política, Michel Temer, segundo interlocutores, mantém o otimismo que vai barrar a denúncia contra ele na CCJ. Segundo o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), que acompanhou Temer na viagem à reunião do G20, na Alemanha, a contabilidade do governo mostraria 39 votos a favor do presidente da comissão. A conta considera troca de parlamentares do PR e do PSD. São necessários 34 votos para garantir a vitória.

Sairemos vitoriosos na CCJ. Já temos 39 votos — disse Mansur ao GLOBO, acrescentando que a aposta do governo na vitória independe do relatório de Sergio Zveiter (PMDB-RJ).

Dentro da estratégia de promover um troca-troca na CCJ para garantir apoio a Temer, os partidos aliados começaram ontem a 65 protocolar mudanças já anunciadas. O líder do PMDB, deputado Baleia Rossi (SP), enviou à Secretaria Geral da Mesa da Câmara ofício indicando o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como titular na CCJ, no lugar do deputado José Fogaça (PMDB-RS), considerado independente. O PSD também já pediu uma mudança: indicou o deputado Evandro Roman (PSD-PR) no lugar de Expedito Netto (PSD-RO). A Secretaria, no entanto, só enviará na CCJ o comunicado na segunda-feira.

Os partidos do chamado centrão — PMDB, PP, PR, PTB e PSD — estão em contato com o Planalto na contagem dos votos. O principal cacique do PR, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, esteve com Temer recentemente e prometeu que os cinco votos do partido na CCJ. O PR ainda analisa se muda um ou dois deputados.

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