Congresso

Após punição e voto contra Temer, Zveiter decide deixar o PMDB, diz O Globo

Relator do parecer desfavorável ao presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o deputado Sergio Zveiter pediu ontem para se sair do PMDB. A solicitação aconteceu um dia após o partido anunciar uma retaliação aos parlamentares que votaram contra Temer no plenário da Câmara — portanto, a favor do prosseguimento da denúncia por corrupção passiva ao Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia foi antecipada pelo blog de Lauro Jardim, no site do GLOBO.

Não posso aceitar punição. Tenho direito de votar de acordo com a minha consciência. Não posso abrir mão disso. Tomei essa decisão e estou protocolando agora. Fiz uma manifestação ao partido, um pedido de desfiliação — disse Zveiter.

Segundo o GLOBO apurou, o destino do parlamentar pode ser o DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ). O partido busca ampliar sua força no Congresso e, para isso, tenta aumentar sua bancada.

Além disso, antes de assumir a relatoria do processo contra o presidente na CCJ, Zveiter chegou a ser sondado pelo presidente da Câmara. Houve um distanciamento entre os dois quando Zveiter foi oficializado como relator, já que Maia assumiria a Presidência caso Temer fosse afastado. Os dois, no entanto, sempre mantiveram bom relacionamento.

Além de Zveiter (RJ), outros cinco deputados peemedebistas declararam votos desfavoráveis a Temer na votação em plenário da Câmara: Celso Pansera (RJ), Laura Carneiro (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Veneziano Vital do Rêgo (PB) e Vitor Valim (CE). Ou seja, dos votos contrários ao presidente na bancada, metade veio do Rio de Janeiro.

Segundo O GLOBO apurou, o destino dos parlamentares do PMDB do Rio — atualmente, são dez deputados, já desconsiderando Zveiter — ainda é incerto para a eleição do ano que vem.

Três fatores devem ser determinantes na avaliação entre ficar ou sair: a reforma política; a imagem da legenda no estado, cada vez mais desgastada

De saída. Sergio Zveiter, que não aceitou punição do PMDB com as denúncias envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral e a crise econômica na gestão de Luiz Fernando Pezão; e a retaliação imposta pela cúpula — o que já ocorreu. — Se o partido retaliar mesmo, não vai ter outra saída — disse uma fonte, um dia antes das punições serem anunciadas. Quanto à reforma política, as possibilidades de aprovação do distritão e do modelo de financiamento, com a criação de um fundo público de R$ 3,6 bilhões, podem pesar a favor da permanência de peemedebistas. O distritão torna os parlamentares mais independentes da legenda, e o fundo pode ser favorável a um partido do tamanho do PMDB. A definição sobre essas questões vai fazer os deputados se decidirem.

O jogo eleitoral vai se dar a partir da votação da matéria — afirmou outra fonte, acreditando que outras legendas também sofrerão alterações com a abertura da janela partidária, prevista para março do ano que vem. — Depende da reforma política. Não é nem só PMDB. Vai ter uma mexida no jogo (eleitoral) que acho que é natural — completou.

SITUAÇÃO INDEFINIDA

Quando questionados se pretendem ou não sair da sigla, outros parlamentares ouvidos despistaram ao afirmar que, por ora, não tinham motivos para deixar o PMDB. Mas também não negaram a possibilidade, afirmando que “tudo está em aberto”.

Segundo o comunicado da executiva peemedebista, a punição consiste em suspender os parlamentares de suas funções partidárias por 60 dias. Ou seja, os deputados ficam proibidos de atuar em atividades da executiva ou de diretórios do partido nos estados. No caso de Zveiter, como ele não exercia função partidária, a medida não teria efeito agora.

Durante o período de 60 dias, o Conselho de Ética do PMDB analisa as punições que serão aplicadas. No fim do processo, o deputado pode sofrer desde uma advertência, até a expulsão do partido.

Ainda cabe ao líder da bancada peemedebista na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP), a decisão de manter ou tirar os parlamentares das comissões de que fazem parte. Como Zveiter é titular da Comissão de Constituição e Justiça e é suplente na Comissão de Ciência e Tecnologia, apenas isso poderia afetá-lo de imediato. Mas, com a decisão de deixar o partido, a saída das comissões será automática.

Ele (Rossi) não vai ter essa oportunidade porque já estou protocolando minha saída — afirmou Zveiter.

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