Congresso

Aliados cobram redistribuição de ministérios antes de votar reformas, diz o Valor

Ministros e a tropa de choque do governo no Congresso querem retomar a discussão sobre a reforma da Previdência no embalo da rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer pela Câmara, mas essa não será a agenda imediata da Casa a partir de agora. Os líderes e deputados dos partidos da base cobram abertamente a necessidade de “recomposição” das forças que sustentam o governo e defendem que outros projetos, como as reformas política e tributária, sejam tratados antes. Vários defendem que as mudanças previdenciários fiquem para 2019.

“Não adianta pensar agora em reformas constitucionais”, afirmou o líder do DEM, deputado Efraim Filho (PB). A vitória de Temer contra a denúncia, por 263 a 227, mostra uma base muito mais frágil do que a que aprovou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) – 367 deputados – e da proposta de emenda à Constituição (PEC) do Teto de Gastos – 366.

A reforma tributária, que o governo pretende encaminhar nos próximos dias, seria uma pauta mais tranquila, por depender de maioria dos votos (257). Já a proposta de reforma da Previdência exige apoio bem mais amplo, de 308 parlamentares. O governo já não tinha esse apoio antes da delação da JBS explodir a maior crise política da gestão Temer e também não tem agora.

Para o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), qualquer declaração sobre o número de apoiadores da reforma seria um chute. As conversas paralisaram completamente em maio e toda a articulação ficou focada na denúncia. As reuniões serão retomadas na próxima semana. “Teremos que ver o sentimento da base. Por enquanto não dá para dizer nem que não dá para votar a Previdência, nem que dá”, disse.

Já o líder do PSD, deputado Marcos Montes (MG), é assertivo ao dizer que não dá. “Não há ambiente na Câmara e na sociedade para aprovar essa reforma. O governo tem que cuidar de outras pautas, como a tributária, que mexe mais com o dia a dia das pessoas”, afirmou. Se o governo tentar insistir na Previdência agora “não terá nosso apoio”.

O governo continuará sinalizando a disposição de votar a Previdência, mas tem preocupações mais imediatas. A primeira é votar as cinco medidas provisórias na Câmara que perderam a validade nas próximas duas semanas – entre elas, a reoneração da folha de pagamentos.

A outra é a recompor a base, que cobra a punição dos infiéis e a redistribuição dos cargos. A disputa entre PSDB, PMDB e o Centrão (PP, PR, PSD, PTB, PRB) se tornou pública e partidos querem que os tucanos, que ficaram divididos na votação, percam o Ministério das Cidades. Atento a próxima denúncia que a Procuradoria-Geral da República (PGR), o governo já disse que não retaliará nenhum partido. A margem de vitória anteontem não foi assim tão elástica – 91 deputados – e pode cair à metade sem PSDB e DEM.

Para fugir da agenda da crise e do governo, a Câmara também pretende começar a focar em outros assuntos. A reforma política será a principal discussão do plenário em agosto, mês decisivo porque o Senado precisa aprovar o texto até 7 de outubro para que tenha validade na próxima eleição. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também quer votar projetos de segurança pública, tema caro a seu Estado. Já estão prontos para pauta propostas para aumentar a pena e dificultar o contrabando.

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