Congresso

Aliados veem tristeza e calma em Temer; Congresso fica vazio, diz O Globo

Uma hora e meia antes do começo do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente Michel Temer desmarcou um jantar com empresários e resolveu assistir à sessão no Palácio do Planalto acompanhado de aliados próximos. O presidente buscou aparentar uma agenda normal ao longo do dia e, pela tarde, disse ao vice-presidente da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG), que estava “confiante” na Justiça, apesar de se sentir “triste” por “injustiças”.

Ao longo do julgamento, passaram pelo gabinete os três ministros do palácio — Moreira Franco (Secretarial-Geral da Presidência), Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil) —, além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDBRR), e os deputados Evandro Rogério Roman (PSD-PR), Mauro Pereira (PMDB-RS), Arthur Maia (PPS-BA) e Beto Mansur (PRB-SP). Parlamentares que passaram pelo gabinete afirmaram que o clima era de “expectativa”, mas “bom”.

ENQUANTO ISSO, A VAQUEJADA

Padilha e Moreira estiveram ausentes durante o começo do julgamento para participar da cerimônia de inauguração da nova sede do Serviço Social da Indústria (Sesi), marcada para às 19h, mesmo horário do início do julgamento, e da qual Temer inicialmente estava disposto a participar. A organização do encontro já estava fechada, e o recuo do peemedebista desmobilizou seguranças, assessores e equipe de cerimonial da Presidência, que cancelou a ida.

Segundo o deputado Fábio Ramalho, durante a tarde Temer aparentou estar calmo, apesar da proximidade do início do julgamento.

Ele está bem calmo, sóbrio, aguardando o que vai acontecer. Ele está muito confiante na Justiça e falou que temos que continuar tocando a agenda do Brasil. Mas ele fica triste, acha que algumas coisas são injustas com ele — disse o deputado.

Tão logo o julgamento começou, às 19h, não foi apenas as atenções do Planalto que se voltaram para a televisão. Chamou atenção a cerimônia de promulgação da emenda liberando a prática da vaquejada no país, que reuniu os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O plenário da Câmara, no entanto, esvaziou assim que o TSE começou a sessão. Antes, os deputados não conseguiram acordo para aprovar duas matérias simples. Diante do esvaziamento, as votações acabaram suspensas, e a sessão foi encerrada às 19h49m. A maioria dos deputados abandonou a Casa e poucos seguiram acompanhando a sessão do TSE no chamado “cafezinho”, que fica atrás do plenário.

O presidente da Câmara disse esperar que o TSE tome a “melhor decisão para o Brasil” e que é necessário buscar uma saída para a crise institucional que o país atravessa.

É uma decisão do Poder Judiciário. Vamos aguardar (o julgamento do TSE). Por isso disse que não vou ficar comentando. Existem as duas hipóteses: o governo ganhar ou governo perder. Vamos esperar que seja a melhor decisão para o Brasil. Está na hora de ter muita tranquilidade, muito diálogo entre os poderes para que se construa uma saída em conjunto para essa crise institucional que o Brasil vive — disse Rodrigo Maia.

QUÓRUM BAIXO NO SENADO

No Senado, Eunício Oliveira também chegou a abrir, no início da noite, uma sessão deliberativa no plenário, mas suspendeu alegando que o quórum estava baixo para votações. Um dos motivos, no entanto, seria a reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que havia acabado de ser concluída depois de mais de nove horas de duração, para votar a reforma trabalhista. O presidente afirmou que o julgamento do TSE não afetaria os trabalhos da Casa.

Vamos continuar nosso trabalho, independente do que aconteça no TSE — afirmou Eunício.

Ao deixar o plenário do Senado, cerca de 40 minutos após o início da sessão do TSE, Eunício disse que se encaminhava para tratar junto ao Ministério da Saúde dos interesses de dois municípios de seu estado que passam por um surto de meningite. Ele tentou minimizar ainda o risco de contaminação política do julgamento do TSE:

Não dá para fazer julgamento, no meu entendimento, que não seja dentro do processo.

Tentando aparentar normalidade, Eunício afirmou que não assistiria ao julgamento.

Eu não vou acompanhar, não vou assistir. Vou esperar o resultado final do julgamento pelos juízes — disse Eunício.

A previsão do presidente do Senado inclui a votação das reformas trabalhista e da Previdência.

As reformas não pertencem mais ao governo, as reformas pertencem hoje à sociedade brasileira — disse o presidente do Senado.

Mais cedo, o presidente da Câmara já havia afirmado que o calendário de votação da reforma da Previdência ainda este semestre está mantido, apesar da instabilidade política no país. Já o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a expectativa é votar a reforma trabalhista “em duas ou três semanas” no plenário do Senado.

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