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‘O PSDB virou um grande PMDB, agarrado em cargos’, diz Elena Landau para O Globo

Por que resolveu deixar o PSDB?

O partido começou a perder sua essência, que para mim é ética e a modernidade de uma economia aberta, sem corporativismo, sem a velha política. Ao longo de 2017, foi perdendo isso, primeiro com o evento do Aécio (Neves). Não estou julgando o Aécio juridicamente. Ele sequer é réu. A questão é que a gente precisa dar exemplo. Na política, imagem é tudo.

Como o partido deveria ter conduzido essa questão?

O Aécio deveria ter se afastado de vez, sem colocar o Tasso (Jereissati) interinamente (na presidência do PSDB), e ter chamado convenção. Eu acho que (o partido) se perdeu nessa questão da ética. O segundo evento muito grave para mim foi o Aécio ter afastado o Tasso da interinidade de uma forma deselegante, autoritária.

Não acredita na capacidade do governador Geraldo Alckmin para colocar o partido nos trilhos?

O problema foi o cancelamento da disputa (entre Tasso e Marconi Perillo) na convenção (no próximo sábado). Não estou questionando a qualidade do Alckmin de ser presidente do partido, mas a convenção estava animando a gente, porque mostrava um partido com vitalidade. Aí houve uma decisão, de cúpula, de não bater chapa. Houve uma grande frustração dos filiados, que queriam participar do debate.

O estopim foi o documento divulgado pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV)?

O ITV lançou um documento que nenhum de nós foi consultado. O nosso documento não foi lido.

A senhora tinha elaborado um outro documento?

O Tasso pediu (em setembro) ao Pérsio (Arida) que fizesse um documento para resumir um programa de governo. E o Pérsio fez. Depois eu, o Bolívar Lamounier, o Edmar (Bacha) acrescentamos algumas coisas. Tínhamos a esperança que esse documento fosse discutido no partido.

E o que achou do conteúdo do documento do ITV?

É um documento atrasado, parado no tempo, sem aprofundar discussões.

O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros disse à “Folha de S.Paulo” que o grupo da PUC-RJ sempre teve uma certa rigidez ideológica e um conflito com a dinâmica de partido.

A gente sempre participou da vida do partido, até menos do que gostaríamos, porque o grupo da PUC-RJ só é chamado de quatro em quatro anos para dar ideias de programa de governo. Nos períodos entre campanhas, vota-se contra o fator previdenciário, vota-se em coisas que não são o ideário do grupo mais liberal da PUC, e ninguém abandonou o partido.

Desde quando estava pensando em deixar o PSDB?

Há quatro meses. O que me fez pensar pela primeira vez em sair foi o relatório (pela inadmissibilidade) da primeira denúncia (contra o presidente Michel Temer) ter sido feito pelo deputado Abi Ackel (PSDB-MG). O partido perdeu a bandeira ética, a bandeira da formulação econômica de qualidade, da modernidade e agora, por último, da Previdência.

A senhora assinou um manifesto pedindo que o PSDB feche questão sobre a reforma da Previdência.

A Previdência está no DNA do PSDB, é tão importante quanto o Parlamentarismo. Essa reforma que está aí é mínima. O partido no Congresso não vai apoiar uma coisa que é bandeira do partido? Aí fica muito confuso.

Qual o futuro do PSDB?

Espero que o Alckmin consiga resgatar a esperança que as pessoas tinham no PSDB, que virou um grande PMDB, se agarrando em cargos. É o fisiologismo.

Há risco de a crise interna prejudicar a candidatura presidencial de Alckmin?

De vez em quando a crise é boa porque mostra o limite. Quando a apresentação do documento do ITV é feita e tem o Aécio na primeira fila, teve gente que se levantou. O teste vai ser o Aécio na convenção. Tem rupturas que são importantes.

A senhora vai para o Livres/PSL (Partido Social Liberal)?

O Livres fez um convite para eu ir para a fundação deles. Estou entusiasmada.

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