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Sub do ministro baiano Imbassahy tem agenda no governo voltada à Bahia, diz a Folha

Júnior Marabá (DEM) não é prefeito, governador, nem deputado. Perdeu as eleições de 2016, quando tentou ser prefeito de Luís Eduardo Magalhães, segunda maior cidade do oeste baiano.

Mesmo sem exercer cargo público, conseguiu uma audiência na Secretaria Nacional de Assuntos Federativos, uma das subchefias mais importantes da Secretaria de Governo da Presidência da República, pasta comandada pelo ministro Antonio Imbassahy (PSDB-BA).

No cargo desde maio deste ano, o chefe da Secretaria de Assuntos Federativos, Paulo Câmara (PSDB), concentrou sua agenda no atendimento a políticos da Bahia.

Das 114 pessoas que recebeu em audiência, 70 eram prefeitos, vereadores ou deputados baianos. Na média, seis em cada dez pessoas recebidas por Câmara eram políticos baianos.

Afilhado político de Antônio Imbassahy e filho de uma prima do ministro, Câmara é vereador licenciado em Salvador e pré-candidato a deputado estadual. Vai para a disputa em dobradinha com Imbassahy, que disputará a reeleição para deputado federal.

A Folha apurou que a ofensiva gerou insatisfação entre os deputados federais da Bahia, que afirmam que o ministro e seu afilhado político estão invadindo bases eleitorais de outros deputados em busca de votos em 2018.

Na briga por mais espaço no governo Temer, partidos do “centrão” pressionam pelo afastamento do ministro tucano. Imbassahy deve ser substituído nas próximas semanas pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS).

Entre os políticos que foram recebidos por Paulo Câmara estão até vereadores de cidades como Cotegipe, com 13 mil habitantes, e Mulungu do Morro, com 12 mil.

O número total de audiências de Paulo Câmara desde maio pode ser maior, já que nem todas foram registradas na agenda. Em 19 de setembro, por exemplo, não há registro de nenhuma audiência, mas Câmara postou em uma rede social que recebeu três vereadores, dois prefeitos e um ex-prefeito baianos em seu gabinete.

Do total que consta na agenda oficial (114), apenas 14 eram políticos de outros Estados. Outras dez pessoas eram representantes de universidades e entidades de classe, seis delas da Bahia.

As demais 20 audiências do secretário foram reuniões com membros do governo federal, parte delas para discutir demandas de políticos baianos.

Com o presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, por exemplo, Paulo Câmara conseguiu reverter o fechamento de uma agência bancária em Tremedal, cidade de 20 mil habitantes na Bahia.

Já com Manoel Messias, assessor especial do ministro da Saúde Ricardo Barros, tratou de demandas na saúde básica trazidas pelo prefeito de Jacobina (BA).

Entre as agendas externas, participou de encontros de entidades de prefeitos no Amazonas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e de eventos internacionais, entre eles um curso de uma semana organizado pela Universidade de Havard sobre “Liderança e Inovação” bancado pela União.

OUTRO LADO

Em nota, a Secretaria de Governo informou que as agendas do subchefe nacional de Assuntos Federativos, Paulo Câmara, são definidas de acordo com as demandas que chegam ao órgão.

Destaca ainda que, além das audiências em seu gabinete e despachos internos, o secretário também participa de “eventos que envolvam assuntos de interesses dos entes federados”, citando como exemplos seminários e encontros com prefeitos.

Sobre o curso em parceria com Harvard, o ministério afirma que foi oferecido a servidores de todos os órgãos do governo e que a participação do secretário se deu após pré-seleção de currículos.

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