Noticias

Meirelles endurece discurso e Maia enfatiza necessidade de ceder, diz o Valor

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem em evento promovido pela revista “Veja”, em São Paulo, que o estabelecimento de uma idade mínima é um “ponto inegociável” da reforma da Previdência, assim como a criação de uma regra de transição e a unificação dos sistemas previdenciários público e privado.

No mesmo evento, Maia foi irônico ao mencionar a indisposição do Planalto em negociar mais concessões no projeto de reforma da Previdência.

“Não tem problema. O Meirelles disse isso? Ele traz os 308 votos, eu voto o texto dele”, afirmou. “Eu vou votar o texto que eu tiver condição de votar. Espero que seja o texto que já está apresentado desde a semana passada pelo deputado Arthur Maia [PPS-BA]. Mas se nós precisarmos ceder alguma coisa, que eu espero que não aconteça, nós vamos continuar dialogando.”

Mais adiante, ele reforçou: “Para arrumar 308 votos, num momento com tanta dificuldade política, a gente passou aí por um processo de alguns meses de dificuldades, não é fácil… às vezes é muito fácil falar ‘eu não negocio mais’. Se eu pudesse, eu botava o texto original.”

Segundo Maia, o ponto que hoje está em discussão é a falta de regra de transição para servidor que ingressou antes de 2003: “Todo mundo tem transição, menos eles. Talvez criar uma transição para eles talvez seja uma coisa justa.”

Maia não quis estimar se o governo está próximo ou distante dos 308 votos necessários para aprovar a reforma. Disse que passou os últimos dias convencendo líderes, mas só vai começar a fazer cálculos a partir de agora. Afirmou, porém, que a situação atual pela aprovação da reforma é melhor que a de três semanas atrás.

O presidente da Câmara reconheceu ainda que o tempo é curto para aprovação neste ano. “Difícil, mas vamos tentar”, concluiu. Meirelles disse no evento que “é viável” votar a reforma da Previdência ainda no dia 6 de dezembro. O efeito fiscal da reforma da Previdência, se aprovada, “aparecerá devagar em 2018”, mas terá impactos positivos em um prazo maior e eliminará “por muitos anos” a necessidade de que sejam feitas novas mudanças, de acordo com o ministro.

No evento da Abril, Maia revelou pela primeira vez, que teria votado, se não fosse presidente da Câmara, contra as duas denúncias oferecidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. As provas colhidas pelo Ministério Público, segundo Maia, são frágeis, sobretudo na primeira denúncia. Maia reconheceu que no auge da crise, quando vazaram os áudios da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista, da JBS, havia um ambiente em Brasília para torná-lo presidente da República, como primeiro nome na linha sucessória.

“Ao longo dos dias tive a clareza que não cabia a mim fazer este movimento com base numa denúncia. Iria gerar uma instabilidade ainda maior. É lógico que seria uma honra. Mas acredito que fiz o certo. Acho que foi melhor para o Brasil”, disse ao participar do evento.

O presidente da Câmara ainda defendeu que o DEM tenha um candidato próprio ao Planalto. “Se depender da minha vontade, o DEM deve apresentar um nome de centro direita com um discurso a favor da economia de mercado”, declarou.

Deixe uma resposta