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Ex-assessor de Geddel promete provas de crimes, diz O Globo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), a liberdade provisória de Job Ribeiro Brandão. Ele é ex-assessor do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e de seu irmão, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Ela alegou que Job vem adotando postura de quem quer contribuir com as investigações e que se comprometeu a apresentar provas de parte dos crimes que confessou. Para fazer isso, precisa ter liberdade de ir e vir.

Atualmente Job está em prisão domiciliar sob monitoramento eletrônico. As digitais dele foram encontradas nos R$ 51 milhões guardados no “bunker” de Geddel em Salvador.

Desde que Vossa Excelência (Fachin) determinou a prisão de Job Ribeiro Brandão, ele tem assumido comportamentos de quem efetivamente se dispõe a contribuir com as investigações, a não cometer crimes e nem praticar atos que coloquem em risco a ordem pública ou que frustrem a aplicação da lei penal”, escreveu Dodge.

Em favor de Job, ele não apenas confessou sua participação nos fatos como foi além: revelou supostos contextos criminosos, conexos aos investigados no Inquérito n° 4633, até então desconhecidos pelos investigadores. Ouvido pelo MPF e pela Polícia Federal em 14/11/2017, ele teceu detalhes de uma suposta associação criminosa criada para ocultar valores milionários decorrentes de corrupção, organização criminosa e de peculato”, acrescentou a procuradora-geral.

Depois, concluiu: “Finalmente, Job Ribeiro Brandão comprometeu-se a apresentar provas de parte desses crimes que narrou, o que pressupõe sua liberdade de locomoção para diligenciar por elas”.

A defesa pediu a liberdade alegando que ele tem bons antecedentes e residência fixa em Salvador e que não coloca em risco a ordem pública. Argumentou ainda que sua prisão não é mais conveniente à continuidade da investigação e já efetuou depósito a título de fiança. Além disso, cuida dos pais idosos e doentes.

Raquel Dodge também destacou que Job já foi exonerado do cargo de assessor parlamentar de Lúcio Vieira Lima, “fato que desafiará sua retomada imediata ao mercado de trabalho para dar sustento a si e aos pais idosos e enfermos, cuja dependência já provada nesta investigação”.

De acordo com a TV GLOBO, investigadores da Lava Jato suspeitam que os R$ 51 milhões encontrados pela Polícia Federal (PF) em um apartamento de Salvador são a soma de propinas vindas do PMDB, da construtora Odebrecht, do operador Lúcio Funaro e dos salários de assessores. É a primeira vez que os investigadores fazem essa relação da origem do dinheiro.

Geddel, que está preso no Complexo da Papuda, em Brasília, desde setembro, nunca esclareceu de onde saiu o dinheiro, que constitui a maior apreensão de dinheiro vivo da história da PF. O detalhamento foi incluído nas investigações sobre lavagem de dinheiro que estão no STF.

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