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Dodge pede condenação de Gleisi e perda do mandato, diz O Globo

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a condenação da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e do ex-ministro Paulo Bernardo por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Dodge entregou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) as alegações finais da ação penal em que os dois são réus, ao lado do empresário Ernesto Kugler, ligado ao casal e acusado dos mesmos crimes. No documento, Dodge defende ainda que Gleisi perca o mandato de senadora e que os três paguem uma multa de R$ 4 milhões.

A denúncia contra os três foi aceita pela Segunda Turma do STF em setembro de 2016. Paulo Bernardo teria pedido R$ 1 milhão ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para a campanha de Gleisi ao Senado em 2010. O dinheiro teria sido entregue a Kugler por um intermediário do doleiro Alberto Youssef. A quantia teria sido repassada em quatro parcelas de R$ 250 mil. A multa pedida pela procuradorageral equivale a quatro vezes o valor que teria sido desviado. “Mais do que a corrupção de um mero agente público, houve corrupções em séries por titulares de cargos dos mais relevantes da República, cuja responsabilidade faz agravar sua culpa na mesma proporção”, escreveu Dodge.

Os réus tinham plena ciência do esquema criminoso e da origem das quantias ilícitas, e atuaram concertadamente, em divisão de tarefas: Paulo Bernardo Silva encarregou-se de transmitir a solicitação da vantagem indevida a Paulo Roberto Costa, no início de 2010, em local não precisamente identificado, e de comandar o seu recebimento, enquanto Ernesto Kugler Rodrigues recebeu materialmente a propina, ao longo de 2010, em Curitiba, a qual se destinava a custear a campanha eleitoral de Gleisi Hoffmann, em favor de quem ambos atuavam”, afirma o texto.

A pena do crime de corrupção passiva varia entre dois e 12 anos, e a de lavagem de dinheiro fica entre três e 10 anos. A procuradora-geral argumenta que a pena deve ser “ser fixada acima do termo médio”, já que “as circunstâncias negativas indicadas são de máxima relevância”.

Gleisi foi ministra da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff e Paulo Bernardo foi ministro do Planejamento no governo Lula e das Comunicações no governo Dilma.

A suposta participação do casal na Lava-Jato surgiu nas delações premiadas de Youssef e de Paulo Roberto. Em seguida, veio a delação do advogado Antônio Carlos Pieruccini, que detalhou como o dinheiro foi repassado para a campanha da petista.

Em nota, a Comissão Executiva do PT disse que são falsas as acusações contra Gleisi na ação penal a que ela responde junto com o ex-ministro Paulo Bernardo. Segundo a comissão, o Ministério Público montou a denúncia com base “exclusivamente” em delações contraditórias de réus interessados em obter benefícios penais, sem apresentar nenhuma prova. Ainda de acordo com a nota, “a defesa demonstrou e até o Ministério Público reconheceu” que os delatores não foram capazes de dizer “como, quando e onde teriam sido realizados os supostos e inexistentes pagamentos”. Para o PT, as alegações finais de Dodge repetem “os vícios da denúncia original, infundada e arbitrária”.

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