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Delator da Odebrecht corre risco de perder benefícios por diferença em depoimentos é o título de matéria no Globo

Uma divergência entre fatos apresentados por um dos executivos da Odebrecht em sua delação premiada, há quase um ano, e o depoimento que ele concedeu ao juiz Sergio Moro, no mês passado, coloca em risco os benefícios garantidos ao colaborador no acordo que firmou com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

O ex-gerente da Odebrecht Paulo Boghossian voltou atrás na informação de que a contratação de um consultor para atuar na construção da sede da Petrobras em Vitória visava facilitar a aprovação de pleitos da empreiteira junto a um funcionário da estatal. A Odebrecht integrou o consórcio OCCH, responsável pelas obras, juntamente com Camargo Correa e Hochtief.

Procuradores da força-tarefa de Curitiba se irritaram com a postura do delator no depoimento dado a Moro no mês passado e relataram aos advogados do executivo que os benefícios garantidos no acordo estão em risco. Os investigadores avaliam se pedirão a suspensão do acordo de delação para a PGR ou se pleitearão à Justiça Federal do Paraná que os benefícios assegurados a Boghossian não sejam aplicados apenas nesta ação penal.

DIVERGÊNCIA IRRITOU PROCURADORES

Após o comunicado, a defesa do executivo passou a trabalhar para reverter o caso até a próxima terça-feira, argumentando que todas as perguntas feitas pelos investigadores na audiência em Curitiba foram baseadas em documentos entregues pelo próprio delator. Na próxima terça, serão apresentadas as alegações finais sobre o caso, e o Ministério Público Federal se posicionará sobre como vai proceder em relação ao acordo de Boghossian.

A divergência irritou os procuradores por se tratar do principal tema abordado pelo ex-gerente da Odebrecht. No anexo de sua colaboração, ele afirmou que tinha conhecimento de que a contratação do consultor Eduardo Freitas, da empresa Sulbrasil, visava facilitar a aprovação de pleitos e alterações de escopos requeridos junto ao funcionário da Petrobras Celso Araripe, que era o gerente do empreendimento em Vitória por parte da estatal. Araripe chegou a ser preso e é acusado de ter recebido propina do consórcio por meio de empresas de Freitas.

Em depoimento aos procuradores gravado em dezembro de 2016, depois de assinar o acordo de delação, Boghossian foi perguntado se percebeu alguma mudança em relação à condução dos aditivos da Petrobras em Vitória depois da contratação de Freitas.

Percebi que as coisas começaram a caminhar de uma forma… durante o trabalho dele, ele deixou vazar que era amigo do Celso, até então a gente não sabia. Ele nunca se portou “ah, deixa comigo”. Mas em um ou dois e-mails ele deixou vazar “vou falar então com meu ‘amigo’ para resolver esse problema” — disse aos investigadores.

Na mesma ocasião, ele afirmou que Freitas foi contratado após ser indicado por Araripe e que o valor pago a ele, mais de R$ 2 milhões, foi alto pelo serviço prestado:

Pelo resultado que deu … não tá muito ruim, mas pelas horas trabalhadas é um valor de horas caro. Pelas horas trabalhadas o valor é alto.

No depoimento ao juiz Sergio Moro em outubro, o ex-gerente da Odebrecht foi questionado por procuradores da força-tarefa se ele tinha conhecimento de que “a intercessão do senhor Eduardo [Freitas] junto ao senhor Celso Araripe era determinante para o atendimento dos pleitos. Desta vez, o executivo respondeu: — Não, não tenho conhecimento disso. O primeiro delator da Lava Jato a falar do caso foi o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini. Ele afirmou que as empreiteiras do consórcio tiveram que contratar a consultoria de Freitas para repassar propina para Araripe.

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