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Temer: governo é conduzido pelo ‘diálogo’ é o título de matéria no Globo

O presidente Michel Temer afirmou ontem que a capacidade de conversar com parlamentares e a sociedade foi o principal recurso usado pelo governo na superação dos piores momentos da crise econômica. Temer, que participou, no Rio, do lançamento de um pacote de ações sociais, aposta na economia para recuperar a popularidade — apenas 3% dos brasileiros apoiam a gestão, de acordo com a pesquisa mais recente do Ibope.

O termo que dirige o meu governo é a palavra “diálogo”. Diálogo com o Congresso, com a sociedade, (foi o) que nos permitiu, em primeiro lugar, superar uma recessão extraordinária e chegarmos hoje com abertura de empregos, com inflação baixa, com juros menores — disse.

Depois de a Câmara dos Deputados arquivar dois pedidos de investigação contra Temer, apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente tenta alavancar uma agenda positiva para o governo.

Inflação baixa e juros mais baixos significam salários valorizados, que os preços não aumentam. Vou ao supermercado e posso comprar produtos que, talvez, se inflação houvesse, eu não poderia — disse Temer.

“TENSÃO” PÓS-JOESLEY

O deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) disse, em uma sessão secreta da CPI da JBS, que Temer quase renunciou após a revelação do diálogo gravado entre ele e o dono da empresa, Joesley Batista.

A afirmação foi publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”. Ao GLOBO, Marun confirmou o teor do depoimento e contou que, no dia em que a conversa foi revelada, o clima no Palácio do Planalto era de “muita tensão”:

Eu nunca vi carta nenhuma (de renúncia) e, se tivesse visto, teria rasgado. Mas, de fato, alguns assessores ficaram muito abalados, (a gravação) criou um ambiente muito difícil. Alguns agentes políticos externos passaram a defender a renúncia.

Marun disse ainda que vai pedir a apuração do vazamento de seu depoimento à CPI. “Ele (Rodrigo Janot, então procuradorgeral da República) quase derrubou o presidente naquele dia 17. O complô era para o dia 18 o presidente renunciar. Quase conseguiu fazer o presidente renunciar. E quem está falando é quem estava dentro do gabinete”, disse Marun na sessão. (Colaborou Catarina Alencastro) No lançamento ontem do Programa Emergencial de Ações Sociais, que vai liberar R$ 157 milhões para projetos no Rio, o presidente Michel Temer enfatizou que o evento era uma demonstração de “cooperação” e “paz” — palavras que usou várias vezes — entre o estado e a União. A mensagem parecia ser uma forma de amenizar o “climão” que tomou o governo após o ministro da Justiça, Torquato Jardim, dizer que comandantes de batalhões da PM do Rio tinham envolvimento com o crime organizado, o que despertou a ira do Palácio Guanabara.

Ao discursar, sempre procuro encontrar uma palavra-chave para a solenidade que participo. E acho que a palavra-chave aqui é integração. Aqui é uma cooperação entre o governo do estado, a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e o governo federal — disse Temer. — No nosso ministério, não há uma desintegração sequer, há uma unidade absoluta.

TEMER CAIU DO CÉU’

Torquato e Pezão, separados no palanque apenas por Temer e pela primeira-dama Marcela, conversaram apenas “formalmente”, segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra. Depois de falar ao microfone, Torquato, que chegou a embargar a voz ao se lembrar da infância indo ao subúrbio do Rio “sem balas perdidas”, encerrou a nostalgia com uma frase e só cumprimentou Temer na despedida:

Meu compromisso com a segurança pública é pessoal.

Já Pezão, que apertou a mão de todas as autoridades depois de falar, não poupou elogios ao seu governo e a Temer, assim como fez a maioria dos ministros que o presidente convocou para discursar na cerimônia:

Esse governo para gente caiu do céu. O senhor tem sido um grande parceiro do Rio — disse Pezão.

Diante de tanta exaltação, o prefeito Marcelo Crivella deixou, nas entrelinhas de seu discurso, uma alfinetada. Ele chamou de herói o coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do 3º BPM (Méier), morto a tiros em 26 de outubro. Torquato havia cogitado a ligação do assassinato do oficial com esquemas de corrupção no estado.

Foi um herói que tombou diante de meliantes — disse Crivella. — O Rio vive uma crise tremenda, mas o Rio não pode ser confundido. Essa população é extraordinária, trabalhadora, ordeira e honesta. O Rio tem empresários e políticos presos, mas não podemos generalizar.

Em meio a militares da Marinha e crianças da Maré atendidas por projetos esportivos, a ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, que pediu para acumular os salários de ministra e desembargadora ultrapassando o teto constitucional (R$ 33,7 mil), destacou em seu discurso ser “preta, pobre e da periferia”.

Minhas crianças, meus jovens, o caminho da retidão é o melhor, e estamos aqui para dar a vocês essa retidão, que vocês já têm — disse.

Apesar de não ser um programa específico da área de segurança, o pacote da área social destina boa parte dos seus recursos (R$ 30,2 milhões) para a Defesa, por meio do programa Forças no Esporte (Profesp), que oferece atividades esportivas e de reforço educacional para crianças e adolescentes carentes. A ideia é que eles treinem em unidades militares, que ficam fora das favelas.

Outros projetos já existentes (dentro do Ministério do Esporte) terão R$ 38 milhões só em 2017. Questionado sobre a ênfase na área esportiva, diante de tantos problemas sociais que afetam as comunidades, o ministro Osmar Terra disse que essa é uma estratégia para atrair os jovens. Os recursos liberados não serão usados em novos projetos e, sim, para reforçar os que já estão em andamento. Parte da verba (R$ 35 milhões) será destinada para escolas públicas se equiparem.

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