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Barbosa define em janeiro se aceita convite do PSB, diz o Valor

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa prometeu ao PSB responder até janeiro se aceita ser o candidato do partido a presidente nas eleições de 2018. Barbosa e a cúpula do partido reuniram-se na semana passada, em Brasília, e escolheram um lugar público para a conversa – um concorrido café e confeitaria da cidade, tomada àquela hora da tarde. Típico de Joaquim Barbosa, em geral avesso a encontros que possam ser carimbados de sigilosos.

Esta foi a segunda reunião do PSB com Joaquim Barbosa. Da primeira vez, o ex-presidente do STF evitou falar de candidatura. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, foi direto ao ponto: o PSB quer definir no início do próximo ano se terá ou não candidato próprio e gostaria de saber se ele vai ou não ser candidato? Barbosa pediu “mais um tempo para pensar, talvez até janeiro”, contou Siqueira.

O ex-presidente do STF disse que se sente estimulado pelas pessoas a concorrer, mas ainda tem “muitas dúvidas”. Barbosa está aposentado e tem a vida profissional bem resolvida, o que pesará na decisão. Pesquisa do instituto Datafolha divulgada no fim de setembro mostra o ex-ministro com 11% das intenções de voto, à frente de nomes tradicionais da política, como Geraldo Alckmin, governador de São Paulo e virtual candidato do PSDB.

Siqueira considerou “um avanço” a conversa com Barbosa. “Ele pelo menos não fez como Ayres Brito, que desistiu de vez de ser candidato”, disse, referindo-se a outro ministro e ex-presidente do Supremo, Ayres Britto, que pensou em se filiar ao partido para se candidatar em 2018 ou até mesmo para a eleição indireta do Congresso, na hipótese de a Câmara ter afastado o presidente Michel Temer para ser investigado e processado pelo STF.

Além de não descartar a candidatura, Barbosa também trocou ideias com o PSB sobre a conjuntura política. Segundo Siqueira, a visão do ex-ministro sobre o governo Temer é muito próxima à do PSB (a sigla está dividida e o presidente do PSB está na oposição ao Palácio do Planalto), tem preocupação com o fosso social que separa ricos e pobres, sabe que terá de negociar com o Congresso, se for eleito e é crítico do Fla-Flu em que vê transformada a política brasileira.

Um comentário de Barbosa chamou especialmente a atenção de Siqueira. Segundo o ex-ministro, há um “certo esgarçamento” das instituições no Brasil, não chega a ser propriamente uma crise institucional, mas é dever do presidente da República liderar o processo de “apaziguamento entre as instituições” – Executivo, Legislativo e Judiciário. Para Barbosa, “o grau de democracia fica apequenado” com o “esgarçamento” na relação entre os três poderes.

Barbosa foi o último dos potenciais candidatos a presidente procurados pelo PSB, depois de manifestarem interesse numa aproximação. O primeiro foi Geraldo Alckmin, que deixa o governo de São Paulo em abril para disputar a Presidência. No lugar assume o vice-governador Márcio França, que é do PSB. A única hipótese de o partido apoiar Alckmin é o governador apostar na reeleição de França. Siqueira não acredita que o PSDB abra mão de ter candidato próprio em São Paulo.

Depois do PSDB, houve um jantar com Ciro Gomes (PDT) e um encontro com a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente do PT, que procura manter acesa a chama tênue de uma aliança entre os dois partidos. Houve ainda uma reunião com Álvaro Dias (Podemos) e – antes de Barbosa – uma conversa com a ex-senadora Marina Silva (Rede), que disputou em 2014 pelo partido no lugar de Eduardo Campos, morto em campanha.

“Você será ou não candidata?”, perguntou Siqueira. “Posso responder com outra pergunta?”, tergiversou Marina. Siqueira e Marina tiveram uma relação conflituosa em 2014, após a morte de Campos, mas se reaproximaram. Marina não foi taxativa, mas disse que vai “querer de novo o PSB”, se for candidata. “Há dúvida jurídica sobre de Lula, Alckmin não bateu o martelo e há dúvida se Ciro fica se Lula – mesmo sub-judice – entrar”.

Siqueira prefere não se antecipar aos movimentos de Barbosa e Marina e especular sobre uma chapa única com os dois. Diz apenas que todos os candidatos e potenciais candidatos “têm a visão comum de que o abismo social não pode ser aprofundado mais do que já foi” e se aprofunda na regência de Michel Temer.

O PSB deve tomar sua decisão em janeiro, levando em conta “quem ajuda mais o nosso projeto, que é aumentar as bancadas do partido no Congresso e ampliar o número de governos estaduais” Quer se manter em São Paulo, Distrito Federal, Pernambuco e Paraíba, considera-se competitivo em Minas Gerais, onde o candidato será o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda, no Espírito Santo, Sergipe, Tocantins e Amazonas.

O nome do candidato a presidente, segundo Siqueira, deve repercutir nos projetos regionais. Mas Barbosa, se quiser ser o candidato, é pule de dez.

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