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Novo diretor-geral começa a trocar o comando da PF, diz O Globo

Um dia depois de nomeado diretor da Polícia Federal pelo presidente Michel Temer, o delegado Fernando Segóvia começou a troca de todo o comando da instituição. Segundo um interlocutor do diretor-geral, o delegado Sandro Avelar deverá ser o diretor-executivo, o segundo cargo mais importante na hierarquia da polícia. Ex-presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Avelar foi secretário de Segurança na gestão do ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e se candidatou a deputado federal pelo PMDB em 2014, mas não se elegeu.

A candidatura de Avelar teve a benção do ex-vice-governador do DF Tadeu Filipelli, ex-assessor especial de Temer, que deixou o governo depois de ser preso numa investigação da Polícia Federal sobre desvio de dinheiro público na construção do estádio Mané Garrincha.

Segóvia também já convidou o delegado Eugênio Ricas, secretário de Transparência do Espírito Santo, para chefiar a diretoria de Combate ao Crime Organizado. A diretoria é responsável pelas grandes operações de combate à corrupção, entre elas a Lava-Jato. Cláudio Gomes, ex-corregedor-geral, deverá chefiar a diretoria de Inteligência.

Em outra frente, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, escolheu o diretorexecutivo da PF, Rogério Galloro, para comandar a Secretaria Nacional de Justiça. O ex-secretário Astério Pereira dos Santos pediu exoneração do cargo na noite de quarta-feira.

A transferência de Galloro para a Secretaria Nacional seria uma compensação ao delegado e ao próprio ministro, que foram preteridos no processo de escolha do novo chefe da PF. Galloro era o nome preferido do ministro para substituir o agora ex-diretor Leandro Daiello, que deve se aposentar ao fim da transição. Temer decidiu, no entanto, indicar Segóvia, que, até recentemente, era adido na África do Sul. A portaria de nomeação foi publicada no Diário Oficial da União ontem mesmo, um dia depois da indicação. A posse está marcada para a manhã de segunda-feira.

Com o caminho livre, Segóvia se reuniu ontem pela manhã com Daiello e começou imediatamente o processo de transição. Numa tentativa de demonstrar que as mudanças não implicarão em ruptura, os dois fizeram uma teleconferência com os superintendentes da PF em todo o país. Um dos superintendentes disse ao GLOBO que a saída de Daiello foi uma surpresa para quase todos os delegados. Embora tenha sido cogitada várias vezes ao longo dos últimos anos, o ex-diretor teria sido informado pelo ministro da Justiça que ficaria no cargo até o último dia do governo Temer.

Foi uma surpresa para todos nós. Estamos sem saber o que aconteceu — disse o superintendente.

Depois de confirmada a indicação, Segóvia tratou rapidamente de definir os nomes da equipe de auxiliares mais próximos. A escolha de Sandro Avelar para a diretoria-executiva teria sido acertada previamente.

Antes da indicação de Segóvia, Avelar era tido como um dos preferidos do Planalto para chefiar a PF. Os dois teriam feito um acordo de apoio mútuo. O vencedor da disputa convidaria o outro para compor a diretoria.

Ainda ontem, Segóvia disse a interlocutores não ter recebido nenhum pedido especial de Temer ou de qualquer outro político em relação à Lava-Jato. Segóvia fez o comentário ao rebater insinuações de que teria sido indicado para o cargo pelas boas relações com políticos investigados e, por isso, poderia aliviar o peso das investigações.

Ele acha que está havendo uma distorção nas informações. Ele não recebeu nenhum pedido do presidente — disse um interlocutor do diretor-geral.

ASTÉRIO ALEGOU MOTIVOS PESSOAIS

O ex-secretário Astério Pereira estava no governo desde março deste ano e alegou motivos pessoais para deixar o cargo. Ele deixa o governo uma semana depois de o ministro Torquato Jardim dizer que comandos da Polícia Militar no Rio de Janeiro fazem acerto com deputados estaduais e o crime organizado. A declaração provocou forte reação de policiais militares. Astério foi secretário de Administração Penitenciária do Estado do Rio de Janeiro entre 2003 a 2006, no governo Rosinha Garotinho. Como coordenador de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro, atuou de 2007 até 2008.

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