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Fernando Segóvia foi indicado por peemedebistas para direção da PF, diz a Folha

Na Polícia Federal há 22 anos, o novo diretor-geral da PF, Fernando Queiroz Segóvia Oliveira, 48, passou os últimos 11 em cargos administrativos ao longo de três gestões diferentes da PF. Embora não tenha o apoio da atual direção para o novo cargo, Segóvia transita por diferentes correntes na instituição.

Segóvia teve atuação sindical no DF e chegou a se candidatar à presidência da ADPF, a associação que representa os delegados da PF, com apoio velado da gestão do diretor que deixa o cargo, Leandro Daiello. Sob a atual administração, o delegado também atuou como número dois da Corregedoria e foi adido policial na África do Sul, por dois anos.

Atuações policiais no exterior são cargos cobiçados pelos delegados, o que mostra alguma afinidade entre Daiello e Segóvia. Sua indicação para o novo cargo, contudo, veio do Planalto e de políticos do PMDB, quebrando a expectativa entre delegados da PF de que poderia haver uma continuidade da gestão de Daiello.

Controle de armas, relação da PF com indígenas, gestão de patrimônio e chefia da Superintendência da PF no Maranhão foram algumas das atividades de Segóvia na PF desde os anos 2000.

Nascido em Brasília em 28 de janeiro de 1969, ele entrou na polícia em 1995. Quando o delegado Paulo Lacerda foi o diretor da Polícia Federal, de 2003 a 2007, Segóvia chefiou a Coordenação-Geral de Defesa Institucional, que se ocupava de controle de armas, segurança de autoridades e acompanhamento de crimes como genocídio, pedofilia, tráfico de seres e órgãos humanos e violações aos direitos humanos.

De 2004 a 2006, chefiou o Serviço Nacional de Armas, órgão responsável por controlar as armas em poder da população.

Por desempenhar essas funções, Segóvia foi convidado algumas vezes para representar a PF em audiências públicas no Congresso ou na Comissão Nacional de Política Indígena.

Um policial que conviveu com Segóvia nessa época disse à Folha que ele tinha uma boa interlocução com grupos indígenas, a ponto de, em determinada crise com a interdição de uma rodovia, eles terem pedido para negociar direto com o delegado.

Com o fim da gestão de Paulo Lacerda, o novo diretor, Luiz Fernando Corrêa, que integrava outra corrente de delegados na corporação, o nomeou em 2008 para a Superintendência do Maranhão, onde começa um capítulo que dá margem a comentários na PF até hoje.

Para alguns policiais, Segovia teria se aproximado demais do clã Sarney. Para outros, essa aproximação não impediu que ele apoiasse investigações sobre o grupo político enquanto era superintendente, com destaque para a Operação Boi Barrica, que atingiu o coração dos negócios da família no Estado.

A investigação havia começado antes da chegada de Segóvia ao Maranhão, mas ele não impediu a deflagração da operação, em 2008. Depois confirmou à imprensa que a PF indiciara um dos filhos de Sarney. A operação acabou anulada por uma turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A interlocutores, Segóvia diz que mantinha uma relação institucional com o grupo de Sarney e que seu cargo assim exigia na época, uma vez que um conflito aberto com o governo estadual poderia prejudicar atividades conjuntas da PF com as forças de segurança do Estado.

De volta a Brasília, em 2011 atuou na Corregedoria, já durante a gestão de Daiello. Em 2013, em entrevista a um programa da Associação dos Juízes Federais, Segóvia defendeu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição que retirava poderes de investigação do Ministério Público. Depois que voltou da África do Sul, em julho passado, Segóvia passou a ser cotado para a direção-geral da instituição —para colegas, uma meta que há anos queria alcançar.

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