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Migração para o DEM é alternativa para Meirelles se concorrer em 2018 é o título de matéria de Raymundo Costa no Valor

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é um presidenciável em busca de uma candidatura ao Palácio do Planalto, na sucessão de 2018. Filiado ao PSD, o ministro não tem a segurança de que pode vir a ser indicado pelo partido. Então o Democratas (DEM) é uma opção considerada – há 15 anos o ministro esteve por se filiar ao partido, que então se chamava PFL. Mas o que Meirelles realmente deseja é ser o candidato do chamado centro político, com o apoio do governo e a recuperação da economia como bandeira eleitoral.

Meirelles está há tempo suficiente na política para saber que ela não é exatamente uma linha reta. Elegeu-se deputado federal em 2002 pelo PSDB, partido ao qual se filiou com a promessa de ser candidato ao Senado. Em 2009 foi convencido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a entrar no PMDB, a fim de ser o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. Hoje tem clareza que é um peão no xadrez do PSD.

No momento, o ministro só descarta ser candidato a vice. Até de Lula, hipótese especulada depois que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, em audiência no Senado por mais de uma vez falou do apreço que o ex-presidente tem por Meirelles.

Se a recuperação da economia chegar a bom termo, Meirelles deve reivindicar tanto os bons tempos do período Lula como a retomada do crescimento econômico no governo de Michel Temer. O diagnóstico do ministro é que a crise econômica começou em 2011 – quando ele já estava fora do governo – e o país entrou na recessão no último trimestre de 2014, ano da reeleição de Dilma.

Quem apoiou o impeachment de Dilma procura o “candidato do centro” desde os primeiros dias. Ainda na fase de transição o nome era o do senador José Serra (PSDB-SP), uma das figuras-chave do afastamento da ex-presidente. Em seguida o nome era o do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que se desintegrou com o escândalo da J&F, dando lugar para o prefeito de São Paulo, João Doria. Hoje o nome falado é o de Geraldo Alckmin, mas o governador de São Paulo não fecha nem mesmo o circuito do Palácio do Planalto. Meirelles, portanto, não tem nada a perder ao se colocar no jogo da sucessão.

Meirelles procura pisar com cuidado. Em 2001 ele conversava com o PFL, partido antecessor do DEM, quando foi convencido por Fernando Henrique Cardoso a se filiar ao PSDB para concorrer ao Senado. Em 2009 contava que teria o apoio do PMDB para ser vice Dilma e mais uma vez ficou sem chão. Gato escaldado tem medo da água fria. Daí as reticências quando fala da candidatura a presidente. “Sim, sim, sim. As pessoas falam comigo, me procuram. Agora, ninguém me cobra uma definição”, foi a resposta que deu à “revista Veja”, ao ser perguntado se tinha a consciência de que é um presidenciável. Mas fala e age como candidato: pagou do próprio bolso viagens para encontrar evangélicos, por exemplo.

O presidente de um dos partidos que integram a base aliada de Temer, em tese o tal “centro” de onde sairia um candidato vitorioso, disse ao Valor, sob a condição de anonimato, que “Meirelles sabe que a chance dele é muito baixa, mas não é zero”. Portanto é melhor estar dentro do que fora do jogo. Se por acaso viabilizar seu nome como o candidato da recuperação econômica, não será o candidato de um partido mas de todos. “A questão não é partido, mas o centro brasileiro. Hoje esse nome é o de Geraldo Alckmin”.

Meirelles tem clareza de que em algum momento será cobrado por sua passagem pela J&F, a holding que congrega as empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A resposta está na ponta da língua: foi chamado para criar um banco digital, algo que vai além do grupo, uma ideia sobre a qual já vinha matutando. O ministro da Fazenda foi aconselhado por amigos a não se envolver com os irmãos Batista, mas ele considerou que seu contrato era fechado o bastante para impedir outras ilações.

O ministro também integrou o conselho consultivo da holding na época em que a J&F pensava em abrir o capital fora do país, projeto que não foi adiante. Meirelles nunca teria tomado uma decisão que pudesse ser interpretada como de favorecimento ao grupo dos Batistas. “Como o projeto não se efetivou […] as funções daquele conselho ficaram restritas ao mínimo exigido pela legislação societária”, diz nota divulgada pela Fazenda.

Na audiência que teve no Senado, Meirelles foi acusado de só falar para os banqueiros. Além da sua participação no governo Lula, o ministro tem a dizer que o primeiro direito do homem é o trabalho. É o aumento do emprego que faz a distribuição de renda e reduz a desigualdade. No momento em que se discute a reforma da Previdência, não será surpresa se Meirelles disser que o problema da aposentadoria rural são as fraudes patrocinadas por sindicatos. Como ele mesmo diz, é um presidenciável à espera de uma definição.

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