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Vice-líderes de Temer votam contra governo que eles representam, diz a Folha

Com uma base aliada cada vez menor, o presidente Michel Temer não conta com 100% de apoio nem mesmo entre seus vice-líderes na Câmara dos Deputados.

O governo tem 15 vice-líderes, indicados pelo próprio presidente para ajudar o líder Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) na mobilização de deputados em votações consideradas importantes para o Planalto.

O regimento interno da Câmara diz que líder e vice-líderes do governo podem fazer uso da palavra em sessões, encaminhar votações e participar do trabalho de comissões mesmo que não sejam membros –embora, neste último caso, não possam votar.

A Folha analisou o comportamento destes 15 deputados em seis votações: a PEC (proposta de emenda à Constituição) que estabelecia um teto para os gastos públicos; as reformas trabalhista e do ensino médio; a terceirização; e as duas denúncias contra o presidente.

Seis parlamentares faltaram a ao menos uma destas votações ou se posicionaram contra o governo.

O caso de maior destaque é o do deputado Rocha (PSDB-AC). Depois de ter votado contra a terceirização e faltado à votação da reforma trabalhista, ele se opôs a Temer nas duas denúncias oferecidas pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

O deputado diz que sempre foi contra a participação do PSDB na administração Temer e conta que havia aceitado a vice-liderança apenas para “ajudar o governo naquilo que fosse bom”.

Rocha afirma não ter cargos na estrutura federal e diz já ter pedido para ser retirado do posto.

“Causa um desconforto muito grande. Não voto nem sigo o governo. Logo depois que o governo começou a meter os pés pelas mãos, depois da primeira denúncia, eu pedi para me tirarem da vice-liderança. Até hoje não me tiraram”, afirma o tucano.

Auxiliares de Aguinaldo Ribeiro dizem que o líder do governo na Câmara já solicitou a substituição de Rocha, mas o assunto está parado na Secretaria de Governo, comandada pelo também tucano Antonio Imbassahy.

O ministro é um dos principais defensores da manutenção do PSDB no governo de Michel Temer e foi um dos que se licenciaram para retomar o assento de deputado e ajudar o presidente a derrotar as duas denúncias.

DISCRETOS

Mesmo os que apoiaram o presidente contra a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República foram discretos ao defendê-lo em plenário na hora da votação.

Alguns limitaram-se a um simples “sim”, a favor do relatório contra a denúncia.

A sessão foi transmitida ao vivo pela TV aberta, à noite, horário de maior audiência.

Temer escapou da segunda denúncia com 251 votos, 12 a menos que na primeira denúncia.

A partir da semana que vem, o governo começa de fato a operação para reorganizar a base aliada e definir sua agenda prioritária –e possível– no Legislativo.

Procuradas pela reportagem, a liderança do governo e a Secretaria de Governo não se pronunciaram até a conclusão desta edição.

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