Noticias

Bancada do PSDB se divide sobre liderança, diz o Valor

O PSDB está em convulsão não apenas na cúpula, onde se disputa a presidência da agremiação, mas também nas lideranças de bancada. Especialmente a da Câmara dos Deputados, cuja divisão ao meio ficou clara e litigiosa na votação das duas denúncias contra o presidente Michel Temer.

O atual líder, Ricardo Tripoli (PSDB-SP), deixa a função e terá que ser substituído, em dezembro. Os deputados Betinho Gomes (PSDB-PE), da ala contrária à permanência do PSDB na base de apoio ao governo Temer, e Rogério Marinho (PSDB-RN), aliado do governo, já promovem uma disputa para suceder Tripoli, assim como Marconi Perillo, governador de Goiás, e Tasso Jereissati, senador, concorrerão ao cargo de presidente da sigla.

Gomes conta com o apoio de Tripoli e do presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marinho, que foi relator da reforma trabalhista e da reforma da Lei dos Planos de Saúde, tem entre seus apoiadores o ministro Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo) e o presidente afastado da legenda, senador Aécio Neves (PSDB-MG). Os deputados Nilson Leitão (PSDB-MG), que também é da ala governista, e Eduardo Barbosa (PSDB-MG), opositor de Temer, também pretendem disputar o posto, com menor chance.

Segundo o deputado de Pernambuco, o perfil do novo líder para o ano que vem tem que ser agregador, alguém que procure unir a bancada, dialogar e, eventualmente, ajudar a superar a divisão interna. “Todos estão levando em consideração meu nome como opção para assumir a liderança. Ninguém obviamente fechou questão, é muito cedo. Senti uma boa receptividade”, afirmou Gomes.

Inicialmente, o nome do deputado Daniel Coelho (PSDB-PE), considerado um dos líderes dos cabeças-pretas, grupo de parlamentares que no partido tenderam para o afastamento do governo, despontou como favorito para a liderança da bancada. O perfil mais ponderado de Gomes, porém, na avaliação do grupo, foi considerado melhor para puxar votos de parlamentares indecisos.

Na semana passada, 23 deputados do PSDB votaram pelo prosseguimento do pedido de investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Temer, enquanto 20 votaram pelo arquivamento e três se ausentaram. Na primeira denúncia o arquivamento venceu por um voto: os tucanos deram 22 favoráveis ao presidente e 21 contra e quatro deputados faltaram.

Marinho destacou que antes mesmo da definição de quem concorrerá ao posto ocupado por Tripoli atualmente é preciso que a bancada se recomponha. “Não é a escolha do líder de uma facção, de um segmento, de uma ala. Será o líder do conjunto da bancada. É importante que esteja disposto a resolver desavenças e representar o pensamento médio da bancada”. Assim como a ala adversária, o grupo aliado de Temer deve escolher entre Marinho e Leitão para o embate.

Diante da divisão, o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que já concorreu à liderança, disse esperar que a disputa seja sem a interferência de lideranças nacionais, como Tasso e Aécio. “Espero que os índios sejam menos vulneráveis às influências dos caciques”.

Deixe uma resposta