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Centrão retoma ofensiva para derrubar Imbassahy e fortalecer Eliseu Padilha, diz o Valor

Superada a votação da segunda denúncia, o presidente Michel Temer foi aconselhado a equacionar a articulação política do governo se quiser aprovar a reforma da Previdência Social no Congresso. Alvo das principais queixas, o ministro da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, tem o respaldo de Temer e da cúpula de seu partido, mas tem que driblar a divisão interna do PSDB e a rebelião do Centrão, onde boa parte dos integrantes não o quer como interlocutor.

A pressão em curso nos bastidores é para que Temer afaste Imbassahy para que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, passe a acumular a gestão do governo e a coordenação política. O presidente também foi aconselhado a ampliar as atribuições do assessor especial da Presidência e ex-secretário-geral da Mesa Diretora da Câmara, Mozart Vianna.

Após 40 anos de atividade na Câmara, braço-direito de 12 presidentes, “doutor Mozart” é uma unanimidade. “Não tem deputado que não o queira bem”, atesta o vice-presidente da Casa, Fábio Ramalho (PMDB-MG). Mas um auxiliar de Temer ressalta que Mozart é um “regimentalista”, não entraria na articulação para analisar pedidos de cargos e emendas.

Nas últimas semanas, Padilha foi dublê de chefe da Casa Civil e articulador político. Recebeu mais deputados em seu gabinete, principalmente do PSD, PP e PR, conforme consta da agenda oficial e atualizou planilhas de votos diariamente.

Se Temer optar por essa configuração, Padilha se tornaria um “superministro” da Casa Civil, como eram José Dirceu, no governo Lula, Antonio Palocci, no primeiro mandato de Dilma Rousseff e Henrique Hargreaves, com Itamar Franco.

Temer resiste às mudanças neste momento, mas sofre pressão de setores da base aliada para remanejar nomes do primeiro escalão. O presidente prefere adiar as modificações para abril, quando pelo menos 20 ministros deixarão suas pastas para disputar as eleições.

Em meio ao impasse, persistem as críticas a Imbassahy, sobretudo de que ele não garante os votos nem do próprio partido. O PSDB reeditou o racha da primeira votação: a sigla de Imbassahy assegurou 23 votos contrários a Temer e 20 favoráveis. Ele enfrenta um embate interno na própria bancada, onde disputa com Jutahy Júnior a vaga de candidato ao Senado pela Bahia.

Esse quadro injetou mais combustível para que os parlamentares do Centrão -PP, PSD, PR, PSC, PRB, que somam 153 parlamentares, -renovassem a cobrança pela substituição de Imbassahy.

O tucano ganhou fama de descortês e trapalhão entre aqueles que não o querem como interlocutor. Uma das bancadas onde derrapou foi o PSD, que votou dividida: 20 votos favoráveis a Temer e 18 contrários.

Uma das queixas é de que enquanto vários apoiadores do governo – que tornaram públicos os votos contra o prosseguimento das duas denúncias, – não tiveram recursos liberados, o deputado Sandro Alex (PSD-PR), que votou contra Temer nas duas denúncias, recebeu mais de R$ 10 milhões em emendas para sua base eleitoral.

Há um mês e meio, o deputado Fábio Ramalho verbalizou a insatisfação de uma parcela dos deputados, com palavrões ao tucano e a declaração de que ele “tem o rei na barriga”. Ramalho havia tentado cumprimentá-lo no quarto andar do Planalto, mas segundo relatos do pemedebista, o ministro lhe deu as costas e entrou no elevador.

Um líder da base aliada argumenta que Imbassahy não faz gestos aos deputados tradicionais do meio político. “Ele não oferece um café-da-manhã ou almoço às bancadas, não telefona para cumprimentar pelo aniversário”, exemplifica.

Aliados de Imbassahy ponderam que a passagem pelo Executivo lhe conferiu um estilo “sóbrio” que contrasta com a postura parlamentar, menos afeita a protocolos. O tucano já foi governador da Bahia e prefeito de Salvador. Um líder de bancada alinhado ao Planalto pondera que Imbassahy acaba desempenhando um papel inerente aos articuladores políticos.

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