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A volta do ‘bandido bom é bandido morto’ é o título de matéria no Globo sobre André Moura

Líder do governo Michel Temer no Congresso, o deputado André Moura (PSCSE) defendeu na sexta-feira passada, em um palanque no interior de Sergipe, que “bandido bom é bandido morto”. Ele discursava sobre Segurança Pública. O evento teve a presença do presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf ), Antônio Avelino Neiva. A frase foi popularizada por José Guilherme Godinho Ferreira, o Sivuca, delegado que foi deputado estadual no Rio entre os anos 1990 e o início dos anos 2000.

Moura falou como candidato, num vídeo que circulou por redes sociais. O deputado, por meio da assessoria de imprensa, confirmou a autenticidade do discurso, disse ter expressado sua opinião e afirmou que mantém o que foi dito.

A Segurança Pública é um caos. Falta no governo um homem que tenha pulso para mostrar que lugar de bandido não é em Sergipe. Bandido bom é bandido morto. E, aqui em Sergipe, nós vamos mostrar que é possível fazer segurança de verdade — afirmou, sendo aplaudido.

Moura é réu em três ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF), investigado por formação de quadrilha e crimes de responsabilidade. Além disso, o deputado é alvo de outros três inquéritos no STF, sob suspeita dos mesmos crimes e também de peculato (apropriação de dinheiro ou bem público em razão do cargo ocupado); fraude de licitações; desvio de recursos públicos; e tentativa de homicídio.

No caso do inquérito que apura a tentativa de homicídio, a Polícia Federal (PF) já concluiu pela inexistência de provas ou de meios para obtê-las. Falta uma decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a continuidade ou não da investigação.

Na esfera cível, em que não há cobertura do foro privilegiado, o parlamentar já foi condenado por pelo menos três vezes pela Justiça de Sergipe a ressarcir os cofres públicos. O deputado pode ser investigado na primeira instância em ações de improbidade administrativa.

Em agosto, o líder do governo foi condenado em primeira instância por um dano de R$ 1,4 milhão ao patrimônio público, dinheiro repassado da prefeitura de Pirambu (SE) — já comandada por ele — ao Olímpico Pirambu Futebol Clube, o “Time do Mourão”, de forma fraudulenta, conforme a sentença. No mês passado, a Justiça condenou o deputado por gastos de R$ 30.400 da prefeitura em mercadinhos e uma peixaria. E, em junho de 2016, o Tribunal de Justiça confirmou uma sentença por consumo de tira-gosto, bebida alcoólica e churrasco, também com dinheiro do município.

O discurso de Moura no qual ele manifestou seu pensamento sobre Segurança Pública foi feito no 1º Encontro de Produtores dos Perímetros Irrigados do Baixo São Francisco, no povoado Serrão, da cidade de Ilha das Flores (SE). Antes de falar sobre segurança, o líder do governo discursou sobre Saúde e Educação:

A partir de janeiro de 2019, vamos ter uma nova história no estado de Sergipe. Vamos viver um novo momento e virar essa triste página que temos no governo do estado. A saúde está na UTI, as pessoas estão morrendo por falta de assistência médica. A educação de Sergipe tem os piores índices de qualidade do Brasil. Nossas crianças e adolescentes precisam de respeito que não têm hoje do governo de Sergipe.

A assessoria do deputado disse que ele não é pré-candidato a governador de Sergipe. “O líder tem deixado claro que não é o momento de pensar em eleição. Ele ainda não definiu uma candidatura. O deputado é crítico à gestão do atual governador (Jackson Barreto, do PMDB)”, disse a assessoria. Sobre os processos na Justiça, a nota afirma que Moura “espera definição da Justiça, uma vez que ainda não há nenhuma condenação”.

INSPIRADO EM SIVUCA

Responsável por popularizar a frase dita por Moura — “bandido bom é bandido morto” —, Sivuca levou o estilo truculento forjado em anos de polícia para a atuação política. A notoriedade veio no fim dos anos 1960, quando se tornou um dos “12 homens de ouro”, um grupo de policiais de elite — eufemismo da época para esquadrão da morte. Sivuca também integrou a Scuderie Le Cocq, criada para vingar a morte do detetive Milton Le Cocq e também acusada de atuar à margem das leis e promover matanças. O ex-deputado sempre negou que os grupos fossem destinados a cometer homicídios. “Eu abomino grupo de extermínio. Gera um poder perigoso nas mãos de poucos”, disse, em entrevista a Jô Soares, em 1993. A opinião sobre criminosos, no entanto, era contundente: “Sequestrador tem que morrer. O traficante tem que morrer. O estuprador tem que morrer. Sabe por quê? Porque são bandidos. E bandido bom é bandido morto e enterrado em pé, para não ocupar muito espaço”, vociferou, em vídeo disponível no YouTube. Sivuca também defendeu policiais que atuaram no massacre de Eldorado dos Carajás, que, segundo ele, agiram em “legítima defesa”.

Nos anos 1990, já deputado, Sivuca apareceu na lista de propinas do bicheiro Castor de Andrade. Foi denunciado por corrupção pelo então procurador-geral do Rio, Antonio Carlos Biscaia. A autorização para processá-lo foi negada pela Assembleia Legislativa.

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