Noticias

Janela para aprovar Previdência vai até o fim do ano é o título de matéria no Valor

Para uma plateia de ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão auxiliar do Congresso Nacional que tem cada vez mais peso político, dois dos principais integrantes da equipe econômica fizeram coro pela reforma da Previdência. A pauta da reunião era o teto de gastos, mas o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira, e o secretário de Acompanhamento Econômico do ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, transformaram a reunião em um ato de clamor pela reforma, cujo risco de não aprovação pelo Congresso é bastante elevado.

Dyogo disse que a reforma da Previdência tem uma janela de aprovação até o fim do ano, após a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer. Para ele, se deixar para o ano que vem não será possível realizá-la, ainda que seja urgente, por conta do calendário eleitoral. “O espaço político é pequeno, mas o governo está disposto a enfrentar isso na reta final deste ano”, afirmou Dyogo.

Mansueto, por sua vez, defendeu a necessidade de reforma como meio de viabilizar o teto de gastos e o equilíbrio fiscal de longo prazo. E destacou que, se não for feita agora, a medida terá que ser a primeira a ser adotada pelo próximo governo. “Ela tem que ocorrer necessariamente neste mês ou no mês seguinte? Se não houver agora, será o fim do mundo? Não será. Mas se nós não conseguirmos fazer a reforma da Previdência, tenho absoluta certeza que será a primeira medida do próximo governo. É uma reforma de Estado”, salientou Mansueto.

Dyogo salientou que a reforma da Previdência é absolutamente necessária para manter a saúde financeira do Estado. “Estado quebrado não é ambiente para crescimento econômico. Sem equilíbrio fiscal, não há modelo (econômico) que dê certo”, disse o ministro.

Ele fez os comentários em resposta a um questionamento do ministro do TCU José Múcio Monteiro. Ex-parlamentar, Múcio afirmou que o último ano de mandato é muito complicado para aprovar qualquer mudança considerada impopular. Quis saber, com isso, se o governo ainda tinha esperança em aprovar a Previdência. Outros ministros da Corte também mostraram a mesma preocupação

Dyogo lembrou que o governo do presidente Michel Temer não tem pretensões de reeleição e irá se concentrar nas reformas que o país precisa. O ministro também afirmou que quem é contra a reforma da Previdência “é contra todo o resto que o governo faz”, já que o gasto dessa rubrica está tomando o espaço das demais despesas.

De acordo com ele, o déficit na Previdência deve superar os R$ 200 bilhões no ano que vem. “A situação é crescentemente grave”, afirmou o ministro do Planejamento. Em sua opinião, reformas como a da Previdência são importantes para evitar uma percepção de que o governo não terá como pagar a dívida pública, o que jogaria o país em uma situação muto grave, com o risco de volta de problemas como a hiperinflação.

O ministro do Planejamento disse que a velocidade do envelhecimento da população brasileira traz consigo um grande risco de o país ficar velho antes de ficar rico. “A grande preocupação é de nos tornarmos um país velho e pobre”, disse Dyogo. Ele lembrou ainda que o governo não está propondo nada que avance em direitos adquiridos. “Estamos lutando para evitar situações de retirada de direitos para pagar aposentadorias”, afirmou o ministro.

Mansueto Almeida também disse que o problema do rombo na Previdência não pode ser resolvido só com gestão e que reformas são necessárias. De acordo com o secretário, a discussão sobre o teto dos gastos se torna inócua se não houver reforma da Previdência. “Sem a reforma, não dá para cumprir o teto até 2026”, afirmou.

Mansueto lembrou que, pela curva demográfica atual, em 2040 haverá quatro pessoas trabalhando para sustentar um aposentado. Em 2060, apenas dois trabalhadores da ativa irão pagar a aposentadoria de cada idoso.

Deixe uma resposta