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Para Raquel Dodge, Joesley deve seguir na cadeia é o título de matéria no Globo

Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, defendeu a manutenção da prisão preventiva de Joesley Batista, dono da JBS, e Ricardo Saud, executivo da empresa. De acordo com a procuradora-geral, a prisão é necessária porque eles omitiram informações em suas delações premiadas e podem continuar a cometer crimes fora da prisão.

Até o momento, os indícios sugerem que a omissão desses fatos foi intencional, premeditada e de má-fé. Necessária, portanto, a prisão preventiva também para proteção da ordem pública, em vista da gravidade em concreto dos crimes em apuração e da necessidade de se prevenir a reiteração delitiva, já que o esquema criminoso é sistêmico”, escreveu Raquel Dodge.

A manifestação foi uma resposta a recursos apresentados pelos próprios Joesley e Saud, que pediam a revisão da ordem de prisão expedida pelo ministro Edson Fachin, do STF. Alternativamente, eles solicitavam a substituição da prisão por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico.

Em outra decisão, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) negou recurso que pedia a libertação de Joesley e do seu irmão Wesley Batista, em um inquérito que investiga a utilização de informações privilegiadas para obter lucro e reduzir prejuízos no mercado financeiro. A decisão foi tomada pela Quinta Turma do tribunal, que negou, por unanimidade, o pedido de habeas corpus.

Ao defender que Joesley e Saud continuem na cadeia, Raquel Dodge lembrou que a JBS se valeu de informações do ex-procurador Marcello Miller, que teria ajudado os delatores antes de deixar o Ministério Público Federal (MPF). Miller sustenta que começou a trabalhar para a JBS apenas depois de deixar o cargo. Segundo Raquel Dodge, nem Joesley nem Saud mencionaram a ajuda de Miller em suas delações. Tais fatos, disse a procuradorageral, são “gravíssimos”.

A procuradora-geral também refutou o argumento de que a delação premiada garantiu imunidade a Saud e, por isso, não poderia ser preso. “Primeiramente, saliente-se que o acordo de colaboração premiada firmado entre o agravante e o Ministério Público Federal teve sua eficácia cautelarmente suspensa”, escreveu a procuradora Raquel Dodge.

Ela lembrou ainda que Joesley “conta com propriedades, contas e residência no exterior”. Já Ricardo Saud também tem cidadania paraguaia. Assim, eles poderiam fugir e ocultar bens e provas no exterior.

PF PEDE MAIS PRAZO PARA PERÍCIA

Já a Polícia Federal pediu prazo de mais 30 dias para concluir análise de uma das conversas gravadas entre Joesley Batista com o executivo Ricardo Saud. A análise dos áudios teve início a partir de uma determinação da presidente do STF, Cármen Lúcia. Mas, segundo a PF, o caso deverá tramitar numa das varas federais de Brasília. Isso porque não há, nas conversas, indicação de crimes cometidos por autoridades com foro privilegiado.

Nos diálogos, gravados involuntariamente pelo empresário, os dois falam sobre uma frustrada tentativa de gravar conversa com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e, a partir daí, obterem informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal.

Pelo plano dos dois, as informações poderiam reforçar acordo de delação que negociavam com o Ministério Público Federal. Nas conversas, também surgem os nomes dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e até da presidente do tribunal, Cármen Lúcia.

Batista e Saud comentam também sobre aproximação com o então procurador Marcelo Miller para, a partir daí, chegarem até o procurador-geral. Miller teria até orientado Saud a preparar os anexos da delação da JBS. Em nota divulgada no mesmo dia da divulgação dos áudios, Batista e Saud dizem que nenhuma referência aos ministros do STF era verdadeira. Também ontem, procuradores da força-tarefa de Curitiba foram a Brasília se encontrar com Raquel Dodge e fizeram um balanço das atividades da Lava-Jato. Eles informaram que, até agora, as investigações já resultaram na devolução de R$ 4 bilhões aos cofres públicos, além de cerca de 160 condenações de políticos, empresários, servidores públicos e lobistas, entre outros envolvidos em desvios de dinheiro da Petrobras.

Trata-se do maior volume de retorno aos cofres públicos de dinheiro desviado pela corrupção. A Operação Lava-Jato começou em abril de 2014 e não há prazo para ser concluída. Os procuradores informaram também que, só em Curitiba, já foram firmados mais de 150 acordos de delação.

Os procuradores, entre eles o coordenador da Lava-Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, também se reuniram com o coordenador do grupo de trabalho em Brasília, José Alfredo de Paula, e outros investigadores vinculados ao gabinete da procuradora-geral.

O encontro entre os procuradores de Curitiba e de Brasília foi “operacional”, ou seja, os investigadores teriam tratado de casos concretos da Operação Lava-Jato que dependem de decisões conjuntas. Desde o início da operação, acordos de delação mais abrangentes são negociados com a participação de procuradores do Paraná e do Distrito Federal.

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