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‘Esse assunto é prioridade. Não tem como não ser’, diz Rodrigo Maia é o título de matéria no Globo

Aliados do presidente Michel Temer e integrantes da oposição já elegeram a segunda denúncia como o principal assunto da Câmara para este segundo semestre. A prioridade foi admitida pelo próprio presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ontem disse que manterá o papel de “árbitro” na condução do processo.

Parlamentares aliados reforçaram os ataques ao procuradorgeral da República, Rodrigo Janot, afirmando que ele está desgastado e que a denúncia chega enfraquecida ao Legislativo. Já a oposição disse que as acusações são “gravíssimas” e que um presidente da República não pode ser apontado como chefe de uma organização criminosa.

Maia repetiu várias vezes que agirá com isenção, equilíbrio e tranquilidade. Na primeira denúncia, Maia chegou a ser acusado pelo Palácio do Planalto de estar se movimentando contra Temer. As declarações de integrantes do Planalto irritaram Maia na época.

Vamos aguardar o encaminhamento do STF. Uma denúncia contra um presidente da República é sempre muito grave, independentemente de qual é a agenda. Você não tem como falar que vai ter duas agendas relevantes no plenário da Câmara, tendo uma denúncia contra o presidente do Brasil. Temos que ter paciência e equilíbrio e cumprir nosso papel como cumprimos na primeira denúncia. A presidência da Câmara cumpriu a Constituição, o Regimento, se manteve à parte, cumprindo seu papel de árbitro neste processo, e o plenário decidiu. E assim será na segunda denúncia. Vamos manter nossa isenção e esperamos que a Câmara possa, dentro do prazo, encerrar esse assunto. Esse assunto é prioridade, não tem como não ser prioridade — disse Maia, que passou a tarde em Minas Gerais.

Rodrigo Maia disse ainda que não é seu papel “avaliar o mérito da denúncia”.

A gente tem que ter muita tranquilidade, é um momento difícil. Que a gente possa encerrar essa segunda denúncia dentro do prazo para que a Câmara tenha uma agenda de reformas no Brasil — disse Maia.

Classificado como um problema pelo Palácio do Planalto na primeira denúncia, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse ao GLOBO que a tramitação da denúncia levará, pelo menos, 15 dias, mas o prazo total do processo é de 20 a 30 dias. Pacheco disse que nem Sergio Zveiter (Pode-RJ) nem Paulo Abi Ackel (PSDBMG) serão relatores porque já atuaram na primeira.

Não é conveniente que seja um deles. Será alguém que atue como uma relativa imparcialidade — disse Pacheco.

“É ÉPOCA DE DENUNCISMO”

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Mansur (PRB-SP), adotou o discurso de que Janot está desgastado desde que admitiu “omissões gravíssimas” no processo da JBS. Para Beto Mansur, Janot teve “ânsia” de apresentar a denúncia, porque está para sair da PGR. Ele disse ainda que, em época de denuncismo, o delator pode falar qualquer coisa.

Um procurador não pode formular a denúncia com provas que agora estão sendo investigadas pela própria Procuradoria, que analisa a validade das provas. Estamos numa época de denuncismo. Quem faz delação hoje, na atual modelagem, pode até acusar a própria mãe para ser solto — disse Beto Mansur.

O líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), lembrou que há “problemas” não resolvidos desde a primeira denúncia. Nos bastidores, há insatisfações com o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), com o pagamento de emendas e o preenchimento de cargos.

As trapalhadas dos Batista deram mais força à defesa de Temer. Mas há algumas insatisfações na base latentes. Ele precisa fazer um trabalho de rearticulação política — avisou Efraim.

Já a oposição disse que as acusações são gravíssimas.

A denúncia é extremamente grave. Quem ocupa a Presidência da República é líder de uma organização criminosa — disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

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