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Delator diz que JBS tem laudo que nega uso de informação privilegiada é o título de matéria na Folha

O vice-presidente da J&F Investimentos, Francisco de Assis e Silva, disse à Folha que o grupo empresarial, controlador do frigorífico JBS, criou uma comissão independente de apuração interna e contratou uma empresa de auditoria dos EUA para comprovar que os dirigentes da companhia não usaram informações privilegiadas em operações no mercado financeiro.

“Não houve ‘insider trading’. Isso não existiu”, disse o executivo. “Esse laudo está sendo juntado no processo.”

O executivo, que é delator e também advogado dos irmãos Wesley e Joesley Batista, reclamou da operação que prendeu o dono da JBS.

“Foi uma prisão arbitrária”, disse Silva. “Para prender o Wesley a Polícia Federal usou o argumento de que ele admitiu em delação que corrompia o sistema e por isso poderia voltar a corromper. É por isso que eles acham que ele deve ficar preso. Eles jogam suspeitas inclusive sobre a própria CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, disse Silva.

“Não tinha motivo para prender o Wesley. Isso é um absurdo. É só olhar nossa defesa”, disse.

Silva se referiu ao trecho do mandado de prisão que diz que “a colaboração premiada (dos executivos da JBS) revelou episódios de corrupção sistêmica, aparentemente encrustada nas entranhas do poder público” e que “foi utilizada para alavancar os interesses deste grupo empresarial em várias áreas, dentre elas BNDES, Cade, Receita Federal, Ministério da Agricultura e Comissão de Valores Mobiliários”.

A Polícia Federal também apontou a conversa gravada entre Joesley Batista, dono da JBS, e o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), como argumento para a prisão.

“Esta influência demonstrou-se evidente no áudio tornado público pelo ministro Fachin, que foi gravado pelo próprio Joesley durante conversa com o deputado federal Rodrigo Rocha Loures. Assim há efetivo risco à instrução criminal o uso desse poder de influência junto à Comissão de Valores Mobiliários.”

Segundo Assis, a polícia mudou o argumento no meio do caminho para poder prender o executivo. “Como eles não conseguiriam prender o Wesley por uso de informação privilegiada, usaram o argumento da corrupção. Eles, na verdade, prenderam o Wesley porque nós gravamos o presidente. Foi isso”, disse.

A Polícia Federal cita no mandado de prisão os episódios em que os executivos da JBS gravaram supostos atos de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer. Essas gravações foram entregues à Procuradoria-Geral da República e são a principal contrapartida do acordo de colaboração premiada.

“A tutela da final do processo exige a prisão preventiva dos irmãos Batista, pois é certo que ambos apresentaram indícios de corrupção envolvendo até o presidente da República, um deputado federal [referindo-se a Rodrigo Rocha Loures], um senador [Aécio Neves, do PSDB-MG] e um procurador da República [Angelo Goulart], dentre outras centenas de agentes públicos, inclusive inúmeros políticos”, diz o documento.

Assis demonstrava nervosismo em frente ao prédio da Polícia Federal pouco depois de Wesley Batista chegar da audiência de custódia, na Justiça Federal. No tribunal, o empresário reclamou de sua detenção e atacou o Ministério Público Federal. “Não sei que crime cometi. Começo a achar que o crime foi ter assinado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Pergunto se o crime que cometi foi ter me tornado colaborador”, afirmou Wesley.

O empresário está preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, que fica no 3º andar do edifício. Lá existem 30 celas divididas em duas alas.

Num dos conjuntos estão traficantes. O dono da JBS está no pavilhão oposto, junto de policiais presos e criminosos com curso superior. O cubículo em que Wesley está comporta duas pessoas e mede 2,5 m de largura por 5 m de profundidade. Tem um beliche, uma mesa e banquinho de concreto fincados no chão e paredes. A latrina é um buraco no chão.

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