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Planalto minimiza nova denúncia, mas Maia diz não haver ‘descrédito’ na PGR é o título de matéria no Valor

Em meio à reviravolta na delação do empresário Joesley Batista, o presidente Michel Temer participou das comemorações do Dia da Independência em Brasília evitando os microfones. Enquanto seus ministros tentaram reforçar a mensagem de que, agora, um novo pedido de investigação não teria força, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que nenhuma decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) será alvo de “descrédito”.

Maia recebeu o presidente e um grupo de ministros e parlamentares para um almoço em sua residência oficial em Brasília depois do desfile. Após mais de três horas de conversa, Temer foi embora sem falar com a imprensa – mas seu ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, afirmou que o presidente continua tranquilo e “confiante que nova denúncia não vai prosperar”. Também participaram do almoço o presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI).

Mais cedo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco (PMDB), aproveitou os questionamentos recentes sobre o processo de delação de Joesley e, em especial, sobre a conduta do procurador Marcelo Miller – ex-braço-direito do procurador-geral, Rodrigo Janot – para criticar a denúncia já feita contra Temer neste ano. “Todos esses fatos contribuíram muito para que a situação da economia não tivesse o ganho que poderia ter. Os números que temos hoje poderiam ser muito maiores. A reforma da Previdência, se não tivesse havido toda essa espetacularização, poderia ter sido votada. Estaríamos indo muito bem”, disse Moreira.

Moreira disse esperar que o governo e o Congresso possam dar continuidade ao esforço para garantir a aprovação da reforma da Previdência enquanto o Poder Judiciário leva adiante as investigações sobre as omissões dos executivos da JBS. “Se não tivermos as finanças públicas da União bem ajustadas e adequadas, não vamos ter os resultados e há sempre a hipótese de se ter o repique no governo federal do que acontece no Rio de Janeiro”, afirmou Moreira.

Já Maia, quando questionado sobre a força de uma eventual denúncia contra Temer, fez questão de dar meia-volta para responder a repórteres que a PGR ainda tem o “respeito” da Câmara. “Nenhuma decisão da PGR tem descrédito. Nós respeitamos os poderes, a PGR e o Ministério Público”, afirmou Maia ao ser questionado sobre a eventual denúncia. “Agora, os deputados podem ter convencimento ou não da necessidade de aceitar a denúncia”, afirmou.

Maia disse acreditar que a PGR vai tomar uma atitude “dura” após a revelação de novos áudios de Joesley que levantaram os questionamentos sobre o acordo do empresário com os investigadores. “[Conforme] vai-se aprofundando as investigações, vai-se esclarecendo algumas polêmicas em relação à delação da JBS. Não tenho dúvida nenhuma que nesse caso específico, depois de ouvir os delatores amanhã, a Procuradoria vai tomar uma decisão dura”, afirmou. O presidente da Câmara disse acreditar na votação da reforma política, em específico o sistema distrital misto para 2022, além de “construir entendimentos” para votar a reforma da Previdência em outubro.

Ainda assim, Maia colocou em dúvida a percepção de que o governo está, agora, fortalecido para negociar com o Congresso. “Esse clima no Brasil, imagina. Às 16h a gente discutia como seria a denúncia do presidente. Às 19h, tivemos aquela coletiva [do procurador-geral da República, Rodrigo Janot] que gerou muita perplexidade”, disse Maia.

“Na terça, o episódio da Bahia [os R$ 51 milhões encontrados em propriedade ligada a Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Temer]. Na quarta, o depoimento do Palocci. As pessoas me perguntam como vai ser a eleição de 2018. Se em uma semana foram tantos fatos, para 2018 faltam 100 anos para chegar”.

Por conta dos altos índices de desaprovação, o Palácio do Planalto evitou personificar o Sete de Setembro sob a figura de Temer e, pelo segundo ano seguido, optou por não gravar um vídeo dele com um discurso comemorativo. Até 2015, a então presidente Dilma Rousseff costumava usar as redes para veicular uma mensagem na data.

Em vez disso, o governo preferiu destacar nos canais oficiais de comunicação o desfile cívico-militar e as manobras aéreas da Esquadrilha da Fumaça. Temer participou do evento rodeado de ministros mais próximos, da primeira-dama, Marcela, e do filho caçula, Michel. Chegou e partiu em carro fechado e sua voz só foi ouvida nos alto-falantes quando autorizou o início do desfile, que teve o lema “Viva Sua Independência”. Proposto pelo Planalto, o conceito abrange a ideia de comemorar “a volta da esperança, da ordem e do progresso no país”.

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