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JBS convidou Marcello Miller para sua diretoria anticorrupção é o título de matéria na Folha

A JBS convidou, em fevereiro deste ano, o ex-procurador da República Marcello Miller para ocupar o cargo de diretor global de compliance (departamento anticorrupção) da companhia, setor que estava sendo criado como resposta às descobertas de ilícitos praticados pelo grupo.

Na ocasião, Miller ainda fazia parte dos quadros do Ministério Público Federal. Ele só saiu da Procuradoria no dia 5 de abril.

Miller é citado por Joesley Batista, dono da JBS, e o diretor de relações institucionais da empresa, Ricardo Saud, que, em conversa gravada, disseram que ele os ajudou enquanto negociavam acordo de delaçãopremiada na Lava Jato. Miller nega.

A Folha apurou que Miller foi chamado para o cargo de diretor anticorrupção da empresa pelo vice-presidente da J&F, controladora do frigorífico JBS, Francisco de Assis e Silva, e o convite foi reforçado por Ricardo Saud. Foram três conversas com Silva, duas pessoalmente e uma por telefone, e uma com Saud. Nesse período os delatores da JBS se preparavam para negociar um acordo de delação premiada com os procuradores da Lava Jato.

Segundo a Folha apurou, Miller foi apresentado a Silva pela advogada Fernanda Tórtima, que defende a Eldorado Celulose, empresa da família Batista investigada na Operação Bullish, que apura desvios em fundos de pensão.

Segundo fontes ouvidas pela Folha, no início deste ano Miller passou a divulgar a amigos advogados que estava de saída da Procuradoria. Chegou a analisar propostas de um escritório do Rio e outro de São Paulo, antes de ouvir a JBS e, depois, acertar sua ida para o Trench, Rossi & Watanabe, uma das maiores bancas do país.

Posteriormente, a JBS contratou o escritório Trench, Rossi e Watanabe para a sua defesa e Miller atuou na sua leniência -que é a delação premiada da empresa.

EXONERAÇÃO

Marcello Miller solicitou sua saída do Ministério Público Federal no dia 23 de fevereiro e a portaria da sua exoneração saiu no dia 05 de março. Segundo fonte ouvida pela Folha, ele pediu para gozar férias atrasadas antes de sair da procuradoria e por isso seu desligamento só aconteceu no início de abril.

Segundo fonte da JBS, no período em que negociou com a empresa, ele se referiu aos procuradores da Lava Jato como “ex-colegas”.

Miller, segundo uma pessoa da JBS, também disse aos executivos da companhia que desde julho do ano passado não tinha acesso ao drive Jota, sistema com os dados da Lava Jato. Afirmou que, no final do ano, saiu dos grupos que os procuradores da força-tarefa criaram em aplicativos de conversas. Miller era membro auxiliar da Lava Jato.

OUTRO LADO

A advogada Fernanda Tórtima, procurada, não quis se manifestar.

Em nota, Marcello Miller diz que “tem convicção de que não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa e informa que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos”.

A JBS divulgou nota sobre as gravações em que diz que as afirmações sobre ministros do STF, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e outros procuradores não são verdadeiras.

“Não temos conhecimento de nenhum ato ilícito cometido por nenhuma dessas autoridades. O que nós falamos não é verdade, pedimos as mais sinceras desculpas por este ato desrespeitoso e vergonhoso e reiteramos o nosso mais profundo respeito aos ministros e ministras do STF, ao procurador-geral da República e a todos os membros do Ministério Público.”

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