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Áudio da JBS recuperado pela PF também implicava ex-procurador, diz a Folha

Em conversas recuperadas no gravador de Joesley Batista, a Polícia Federal já havia encontrado um áudio que tinha citações ao ex-procurador Marcelo Miller.

De acordo com pessoas que ouviram a gravação, o conteúdo desse diálogo, que ocorreu em março, antes de a delação de executivos da JBS ser assinada, já levantava suspeita sobre a participação de Miller no processo.

Eduardo Pelella, chefe de gabinete do procurador-geral da República, também é citado na conversa. O próprio Rodrigo Janot ouviu o áudio após a PF detectá-lo em perícia.

Ao anunciar que pode anular a delação da JBS, o procurador mencionou nesta segunda (4) uma gravação, com provável data de 17 de março, mas disse que não se trata da mesma recuperada pela PF. Segundo ele, esse novo áudio foi repassado somente na quinta (31) à PGR.

Segundo relatos de quem ouviu essa gravação encontrada pela PF, é possível identificar interação de ao menos três pessoas: Joesley, Ricardo Saud, outro colaborador da JBS, de Francisco de Assis e Silva, advogado e delator da JBS, esse último por telefone.

A gravação integra grupo de sete mídias recuperadas nos aparelhos entregues pelos executivos para a perícia -todas foram enviadas em CD para o ministro Edson Fachin, relator da investigação, no final do mês de junho.

Para investigadores, Joesley não entregaria a nova conversa se a polícia não tivesse recuperado essas outras mídias no gravador.

Janot e outros procuradores já tinham escutado a primeira gravação, mas argumentam que ela não poderia ser levada em consideração por se tratar de um diálogo entre clientes e advogado (Francisco de Assis e Silva), o que é protegido por lei. Assis e Silva, além de advogado, também é delator da JBS.

O presidente Michel Temer, denunciado após revelações feitas por Joesley, tentou em pelo menos duas oportunidades ter acesso aos arquivos recuperados.

Só teve resposta exatos dois meses depois, quando Fachin decidiu, no último dia 30, pelo segredo de Justiça, com o mesmo argumento da Procuradoria, de conversa entre cliente e advogado.

O tempo de demora para a decisão chamou a atenção de envolvidos no caso. Procurado, Pelella diz não poder comentar, alegando o sigilo decretado por Fachin.

Há ainda outros pontos não esclarecidos por procuradores e delatores sobre a colaboração da JBS.

Um deles, que intriga investigadores, é o fato de a gravação de Joesley com Temer, feita em 7 de março, ter sido apagada do gravador entregue para a perícia.

No relatório, os peritos concluem é que “plausível” que a gravação tenha sido feita no equipamento entregue, mas não a encontrou entre os arquivos. Procurada pela reportagem, a JBS não respondeu a essa pergunta.

Outro ponto não foi esclarecido é a presença de Assis e Silva na sede da Procuradoria do Distrito Federal, que participou lateralmente da elaboração da delação, no dia 4 de março, três dias antes da gravação de Temer, informação conseguida pela Folha via Lei de Acesso.

A Procuradoria diz não saber o motivo específico do encontro e a JBS também não quis se manifestar.

A assessoria do frigorífico alega que “não é possível fornecer detalhes porque esses dados estão sob sigilo”. A reportagem argumentou que nenhuma das perguntas dizia respeito a questões em sigilo, mas mesmo assim não houve posicionamento.

A Folha pediu ainda para a PGR, também via Lei de Acesso, as datas em que os delatores estiveram na sede do órgão, em Brasília. O site da transparência da PGR dá o pedido como finalizado, sem resposta. A assessoria confirmou que havia um problema, porém não solucionado.

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