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Teste nuclear da Coreia do Norte eleva tensão é a manchete do Globo

O sexto teste nuclear realizado pelo governo da Coreia do Norte causou repúdio mundial e ameaças de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia. A Coreia do Sul fez ontem exercícios militares perto da fronteira norte-coreana e o Conselho de Segurança da ONU anunciou uma reunião de emergência para hoje. Embora analistas discutam a veracidade da alegação de Pyongyang — que afirma ter testado uma bomba de hidrogênio capaz de ser ser acoplada a um míssil balístico — não há dúvidas de que o artefato detonado na manhã de ontem foi o mais poderoso já testado pelo país, causando um terremoto de 6,3 graus de magnitude na região, sentido até na China.

O poder dela é dez ou 20 ou até mesmo mais vezes superior às anteriores — disse Kune Y. Suh, professor da engenharia nuclear na Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul. — Esta escala está num nível em que qualquer um pode dizer que se tratou de um teste de uma bomba de hidrogênio.

No Twitter, o presidente americano, Donald Trump, criticou as estratégias de seus aliados asiáticos nas relações com Pyongyang: “A Coreia do Norte é uma nação sem controle que se tornou uma enorme ameaça e vergonha para a China”, afirmou Trump. “A Coreia do Sul está descobrindo, como eu já havia avisado, que sua estratégia de apaziguar ânimos não funcionará porque eles (os norte-coreanos) só entendem uma coisa. Os EUA consideram, entre outras opções, interromper todo o comércio com qualquer país que mantenha relações comerciais com a Coreia do Norte”.

O ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, considerou o teste nuclear norte-coreano uma “provocação imprudente”, e afirmou à rede de TV Sky News que não há soluções militares “palatáveis”. Já o presidente francês, Emmanuel Macron, assinou, com a chanceler alemã, Angela Merkel, um comunicado no qual afirma que as provocações de Kim Jong-un “atingiram uma nova dimensão, numa violação da lei internacional que deve ser rechaçada pela comunidade global.”

A União Europeia está pronta para endurecer sua política de sanções contra a Coreia do Norte, e pede ao Conselho de Segurança da ONU que mostre determinação”, afirmou, em comunicado, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Já China e Rússia começaram o dia condenando o ato para depois adotar uma postura mais cautelosa em suas críticas. O teste é “outro exemplo do desprezo absoluto de Pyongyang” pelas resoluções do Conselho de Segurança da ONU e pelo direito internacional, informou o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado. Pequim declarou que o país “mais uma vez realizou um teste nuclear apesar da oposição generalizada da comunidade internacional”. Mais tarde, reunidos na cúpula do BRICs, em Xiamen, os presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin se comprometeram a “lidar apropriadamente” com o teste, e manter o objetivo de desnuclearizar a Península Coreana.

Em um anúncio transmitido pela TV estatal, o governo norte-coreano classificou o teste como “um completo sucesso”, afirmando que a operação envolveu “uma arma termonuclear de dois estágios de força até então inédita”, e foi realizado seguindo uma ordem direta de Kim Jong-un.

ONDA PROTECIONISTA CAUSARIA RECESSÃO

Embora forte, a ameaça de Trump não foi considerada uma opção viável pela imprensa internacional. O diário britânico “Guardian” destacou que, somente em 2016, os Estados Unidos importaram US$ 463 bilhões (R$ 1,4 trilhão) de bens da China, principal parceiro comercial de Pyongyang, e que uma interrupção no comércio entre os dois países daria início a uma onda protecionista que causaria uma recessão global. Ainda assim, o secretário do Tesouro americano, Steve Mnuchin, afirmou que começou a trabalhar em um novo pacote de sanções, que teria como alvo companhias chinesas envolvidas em atividades na Coreia do Norte.

Tradicionalmente avesso a câmeras e pronunciamentos oficiais, o secretário de Defesa, James Mattis, afirmou a repórteres que discutiu opções militares com Trump, e destacou que todos os membros do Conselho de Segurança estão de acordo quanto à ameaça representada pela Coreia do Norte:

Deixamos claro que somos capazes de defender a nós mesmos e nossos aliados, Coreia do Sul e Japão, de qualquer ataque, e que nosso compromisso com nossos aliados é sólido.

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