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Maia diz que trocas podem ser feitas na CCJ, diz o Valor

O presidente da República em exercício e presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse ontem no Rio que a reforma da Previdência poderá ser votada depois da apreciação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, que deve ser protocolada pela Procuradoria-Geral da República na semana que vem.

Por ter uma posição que considera “muito difícil” – é o primeiro na linha sucessória – Maia afirmou que se a acusação ocorrer vai “falar pouco”. Na votação pelo plenário da Câmara, há um mês, a base de Temer barrou o prosseguimento da denúncia para o Supremo Tribunal Federal, o que afastaria o pemedebista do Planalto.

Questionado sobre a movimentação de partidos aliados, como o PR, que começam a trocar integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) favoráveis a Temer, por deputados contrários, numa estratégia de pressionar o presidente a cumprir acordos feitos para barrar a primeira denúncia, Maia disse que o expediente é permitido pelo regimento da Câmara.

“Há duas regras, uma para impeachment, que está na lei, e outra para denúncia. Para denúncia não tem lei, é o regimento da Casa. Poderia ter sido questionado, ninguém questionou. Quando não se questiona, inclusive partidos da oposição, tudo no regimento está permitido, como trocar os integrantes”, afirmou.

Rodrigo Maia disse que “a base tem respondido aos anseios da população brasileira”. “Votou a terceirização, a recuperação fiscal, a reforma trabalhista, a TLP, que vai acabar com a igrejinha de poucos empresários no BNDES. As pessoas precisam entender que sem reforma da Previdência vai faltar salário”, disse ele a jornalistas.

Maia afirmou que não é pré-candidato a governador do Rio, mas à reeleição a deputado. No Palácio Guanabara, ao lado do governador Luiz Fernando Pezão, Maia afirmou que não era lugar apropriado para falar de eleições, mas que “temos no nosso grupo político nomes que podem disputar o governo do Estado”. Pelo PMDB de Pezão, o pré-candidato é o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes. O pai do parlamentar, o vereador e ex-prefeito Cesar Maia – ambos do DEM -, tem sido cotado para concorrer.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, a um ano das eleições de 2018, as discussões têm se voltado para a construção de um centro político, mas que essa saída, em meio ao clima polarizado do país, não significa “abrir mão de princípios”. “É encontrar soluções. É dele que quero participar”, disse Maia, cujo partido é tradicional aliado do PSDB, mas esboça projeto de lançar candidatura própria e centrista a presidente.

Para o deputado, a reforma política não naufragou, apesar do prazo de tramitação para que seja aprovada até 7 de outubro, a tempo de valer para as eleições do ano que vem. Ele defendeu que se chegue a um acordo sobre o sistema eleitoral “principalmente para 2022”, com a proposta de vigência do distrital misto, e que em 2018 a eleição seja regida pelo distritão.

Maia esteve no Rio com o ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), e outras autoridades em evento de liberação de recursos federais para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

Ele viajará hoje ao Espírito Santo, onde se encontra com o governador Paulo Hartung (PMDB), que negocia migrar para o PSDB ou o DEM.

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