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Joesley pagou por silêncio afirma operador do PMDB é a manchete do Globo

O preço do silêncio

Depois de fazer acordo de delação premiada, o doleiro Lúcio Bolonha Funaro mudou de versão e confirmou que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, um dos executivos da JBS, para permanecer em silêncio, ou seja, não revelar o que sabia sobre corrupção e movimentação ilegal de recursos por parte de influentes políticos do país. A informação, um dos detalhes mais importantes da delação do operador financeiro do PMDB, deve robustecer a denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara para apresentar contra o presidente Michel Temer a partir das delações do empresário Joesley Batista e de outros executivos da JBS.

Temer, que nega qualquer relação ilícita com Funaro ou com a JBS, é investigado por obstrução de justiça e envolvimento em organização criminosa. Em um dos trechos de uma conversa que teve com o presidente, na noite de 3 de março, no Palácio do Jaburu, Batista descreveu uma série de crimes que teria cometido. Num determinado momento, disse, de forma cifrada, que vinha fazendo pagamentos regulares a Funaro e ao ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, até ser preso, era um dos principais aliados de Temer. Em depoimentos da delação premiada, Joesley e o executivo Ricardo Saud, também da JBS, disseram que os pagamentos eram para comprar o silêncio de Funaro e Cunha, uma forma de proteger o presidente e alguns auxiliares. Peça-chave. Lucio Bolonha Funaro deixa a Justiça Federal no DF; delação ainda deve ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal

Em depoimento à Polícia Federal, Funaro relatou que Geddel telefonou diversas vezes para a mulher dele no fim do primeiro semestre deste ano. O exministro estaria “sondando” a disposição dele em partir para uma delação. Essa e outras revelações acabaram levando à decretação da prisão de Geddel pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília. Geddel seria um dos interlocutores de Temer junto a Joesley Batista. Ele teria sido substituído no papel pelo ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, conforme acerto registrado na conversa entre Temer e Joesley em 3 de março, no Jaburu, encontro ocorrido à noite e fora da agenda oficial do presidente.

DENÚNCIA NA PRÓXIMA SEMANA

É a partir dessa investigação que o procurador-geral deverá fazer a segunda denúncia contra o presidente. A expectativa é que isso ocorra até sexta-feira da próxima semana. Janot deixa o cargo de procurador-geral em 18 de setembro.

Ontem, depois de corrigir alguns detalhes de redação da delação de Funaro, Janot reenviou os documentos para o STF. A correção no texto foi sugerida por Fachin, depois de uma análise preliminar no material. Com os papéis de volta em mãos, o ministro deverá intimar Funaro. O operador será interrogado por um auxiliar do ministro para que diga se fez acordo de colaboração por livre e espontânea vontade ou sofreu algum tipo de coação. Trata-se de um procedimento regular comum a todas as delações desde o início da Lava-Jato.

Depois das explicações de Funaro, a delação deverá ser homologada. A expectativa é que isso aconteça no início da próxima semana. O acordo prevê oito anos de prisão para o operador. É um prazo intermediário entre as propostas iniciais do Ministério Público e de Funaro. Os investigadores queriam impor uma pena de 12 anos.

O deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) enxerga com ceticismo a possibilidade de as revelações de Funaro terem impacto no plenário da Câmara.

Acredito que, na Câmara, não haverá alteração dos apoios que ele (Temer) já teve e não haverá reversão das posições contrárias que ele já teve, como a minha. Não se percebe uma chapa quente esperando o presidente no Congresso, por mais grave que seja a denúncia. O efeito que poderia provocar, eu duvido que provoque: é o ato de grandeza, já sugerido pelo Fernando Henrique Cardoso, que seria a renúncia — avalia Miro.

O líder da maioria, Lelo Coimbra (PMDB-ES), não quis comentar a delação de Funaro, aproveitou para criticar a atuação de Janot.

Temos que esperar tudo vir à tona. Mas cabe à PGR ter responsabilidade. Qual é a motivação disso tudo? — diz Lelo Coimbra (PMDB-ES), líder da maioria na Câmara.

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